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Mais que uma marca poderosa, Corinthians é exemplo de gestão

O sucesso comercial do Corinthians nos últimos anos é incontestável. Uma guinada que possui como ponto de virada a queda para a Série B em 2007. Um dos momentos mais tristes da história do clube, mas que certamente não gera reclamação entre os corintianos pelo que veio depois. A crise abriu espaço para uma mudança que já estava em andamento. Profissionalização do departamento de futebol, gestão de marketing inteligente, contratação de grandes estrelas, conquista de títulos. Um processo que ganha cada vez reconhecimento internacional e, agora, um carimbo notável no mundo dos negócios.

O Corinthians é o 16º colocado na consagrada lista da revista Forbes, que aponta os 20 clubes de futebol mais valiosos do planeta. É a primeira vez que um time não europeu aparece na seleção, realizada desde 2004. Avaliados em US$ 358 milhões, os alvinegros aparecem bem longe do Real Madrid, que atingiu a marca de US$ 3,3 bilhões e ultrapassou o Manchester United no topo da lista. Independente dos valores, a aparição corintiana legitima a posição alcançada pelo clube e dá margem para um crescimento ainda maior.

No texto em que comenta a valorização do Corinthians, a Forbes destaca o processo atípico de valorização quando comparado aos europeus. Um clube sem o aporte financeiro de um bilionário, sem um estádio próprio e sem uma marca tão forte internacionalmente. E é justamente a partir destes dois últimos pontos que a revista prevê uma evolução ainda mais consistente dos brasileiros.

Afinal, a inauguração do estádio próprio em Itaquera acontece nos próximos meses. E, segundo a análise, “o clube tem tentado se expandir internacionalmente de forma agressiva”, citando a contratação de Zizao e a parceria com Anderson Silva. “A expansão internacional teve um papel decisivo e o próximo passo poderia ser nesta frente”, avaliam.

Obviamente, a torcida do Corinthians também tem papel preponderante nessa posição. Não apenas pela numerosidade, com também pelo poder econômico. Além disso, as formas criativas de se capitalizar com a marca e de aproveitar a popularidade de outros esportes também são apontadas como razões para o sucesso.

E, neste ponto, o exemplo corintiano serve bastante aos outros clubes brasileiros. O primeiro passo decisivo para o Corinthians veio em sua organização interna – algo ainda muito custoso para vários clubes e suas estruturas administrativas praticamente amadoras. A partir de então, a inteligência nas ações acabou sendo determinante – embora também caiba ponderar o peso da politicagem e das negociatas por trás de alguns sucessos.

É lógico que o peso da marca corintiana permitiu passos mais largos, mas a fórmula não é nenhum segredo para outros times que queriam ao menos botar ordem em suas contas e trabalhar de maneira sustentável – como, por exemplo, evitar comprometer suas receitas antecipadamente. Se conquistar um lugar entre as 20 maiores marcas do futebol mundial é difícil, ao menos para sonhar com a saúde financeira já há o exemplo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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