Forlán brilha e salva o Uruguai, que foi medroso demais
O Uruguai entrou com o dever de fazer valer a sua tradição contra a Nigéria. E com a bola nos pés, aquele futebol apresentado nos últimos anos não voltou, com o agravante de alguns erros cruciais na defesa. Na Arena Fonte Nova, o mais organizado venceu, o que também não significou muito se analisarmos como os dois adversários se postaram em campo. O placar de 2 a 1 para o Uruguai foi um claro convite ao perigo, onde os atuais campeões da Copa América tiveram mais sorte que juízo.
Desorganização por desorganização, o Uruguai se beneficiou primeiro. Forlán pensou e usou de seu talento para encontrar um espaço fundamental para abrir o placar. Lugano agradeceu, rindo entre os perdidos zagueiros nigerianos. Sonolento no meio-campo, o time sul-americano deixou a intermediária ser ocupada pelos ligeiros africanos, quase sempre pelas pontas.
Quando a ofensiva dos Águias verdes resolveu utilizar a faixa central, Mikel sambou e tirou Lugano para marcar o gol de empate. Assumindo novamente o controle da partida, o Uruguai sofria para aumentar o ritmo e muito cedo se fechou. A história do duelo ficou engessada ao fim do primeiro tempo e só com a volta do intervalo tivemos mais ação.
Só a raça (característica de ambos) não tornaria nenhum dos dois em vencedor. Forlán mostrou ter o diferencial ao receber um passe de Cavani e acertou o ângulo de Enyeama. A criatividade era uma ilha no esquema de Óscar Tabárez. E ao novamente esfriar e se preocupar apenas com a marcação, o Uruguai deixou a Nigéria jogar. Se estivesse diante de um adversário melhor, teria passado por apuros e talvez até saído com uma derrota de campo.
Outra prova desse receio excessivo de Tabárez foi sacar Suárez faltando 10 minutos para o fim: a entrada de Coates, perdido e punido com um cartão amarelo em menos de 60 segundos, quase castigou a postura do treinador. Se fechar quando a Nigéria mais se jogou à frente foi uma atitude extremamente perigosa. Qualquer gol era suficiente para que o Uruguai voltasse suas atenções para a contenção.
Aos nigerianos, faltou um pouco da molecagem e da agilidade para lidar contra a defesa pesada formada por Lugano e Godín. Os atacantes foram anulados pela marcação e sumiram, estiveram durante os 90 minutos no bolso dos uruguaios. E por pagar o preço da submissão devem estar com a faca entre os dentes contra a Espanha, na última rodada.
Caminho fácil para os uruguaios, que enfrentam o Taiti para decidir se pegam o primeiro ou segundo lugar no grupo. O peso está todo com os africanos agora.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Forlán, claro. O camisa 10 mostrou que cresce quando veste a camisa da Celeste. A assistência inteligente e o gol de centroavante deram a vitória ao Uruguai. O resultado certamente teria sido outro caso ele não tivesse sido escalado.
Momento-chave
Suárez recebe, gira e joga em Cavani. Cavani olha para a esquerda e vê Forlán, dando um passe rasteiro. Era a vez do craque do Internacional resolver a jogada. E ele o fez com grande competência, como esperado. Um chutaço no ângulo de Enyeama, que ainda tocou de leve na bola com a ponta dos dedos. Este foi o único pingo de agressividade por parte do Uruguai.
Os gols
19/1T – GOL DO URUGUAI!
Forlán faz passe fraco, a bola passa na frente de Echiejile, Cavani ameaça tocar de calcanhar e Lugano pega sozinho, no meio da área para marcar.
36/1T – GOL DA NIGÉRIA!
Mikel recebe passe precioso dentro da área uruguaia, tira Lugano para dançar e bate no alto de Muslera, sem chance! Golaço!
6/2T – GOL DO URUGUAI!
Forlán recebe passe de Cavani, tem tempo para dominar na esquerda e manda um canhão no alto de Enyeama!
Ficha técnica






