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Lucrativo: agentes ganham US$ 236 milhões com transferências internacionais em 2014

Desde setembro, a Fifa determinou o fim da participação de terceiros nas transferências de jogadores. Regulamentou que apenas clube e jogador ganhem com as contratações, sem a participação de fundos de investimento. Mas colocará o dedo na ferida de um negócio lucrativo. A entidade revelou nesta quarta-feira que os agentes atuando neste ramo lucraram US$ 236 milhões com transferências internacionais apenas em 2014. Um crescimento de 27% por ano desde 2011, quando os ganhos eram US$ 105 milhões menores. Os dados computados apresentam os números apenas os lucros dos intermediários, não as comissões dos agentes de cada jogador.

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A maior parte do dinheiro, justamente vindo do Campeonato Inglês, que proíbe que os seus atletas tenham seus vínculos presos a empresários. Um em cada quatro dólares nas negociações internacionais vieram dos clubes ingleses, que gastaram US$ 132 milhões apenas pagando as comissões – em um total de 225 jogadores contratados de fora do país. Segunda liga que mais empregou dinheiro nesse tipo de pagamento, o Campeonato Italiano bateu os US$ 54 milhões. Reflete, também, o poder de compra bastante superior dos ingleses, que possuem 14 dos 30 clubes com maiores receitas em 2013/14.

Segundo os dados da Fifa, mais de um quinto das transferências internacionais em 2014 envolveram pelo menos um intermediário. Algo justamente contrário à tendência nos três anos anteriores, quando os negócios com participação de agentes vinha caindo. Uma das razões apontadas para a mudança foi a realização da Copa do Mundo, que naturalmente aumenta o fluxo de transações.

“Veremos qual vai ser o impacto das novas regulamentações, mas continuaremos registrando as comissões dos intermediários e qual o efeito disso. Há muita especulação”, afirmou Mark Goddard, responsável da Fifa por monitorar as negociações internacionais, em declaração ao jornal inglês The Guardian.

A questão é que vários empresários já dão os seus jeitos para burlar o sistema da Fifa, e o mais praticado deles é a criação de equipes de aluguel apenas para repassar a transferência – algo que, no Brasil e em outros países da América do Sul, principalmente, acontece há tempos. Enquanto os milhões seguirem jorrando, vai ser difícil desmanchar o sistema.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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