
Dando prosseguimento à “série” iniciada na última coluna, sobre jogos baseados em Copas do Mundo, a coluna finaliza com os últimos três nomes de importância singular nesse estilo. Além de se recuperar um pouco os games específicos da EA Sports lançados às vésperas dos Mundiais de 2002 e 2006, também dar-se-á espaço a um game “pós-Copa”, mas criado justamente em alusão ao principal torneio internacional do desporto bretão: Winning Eleven 3 – Final Ver, da Konami, numa atualização muito bem sucedida de International SuperStar Soccer Pro 98.
É importante lembrar que outros games, como os da série FIFA em anos de Mundial (98, 2002 e 2006), embora tivessem alguma alusão à Copa, não eram exatamente jogos específicos sobre o torneio, tendo muitas outras opções de jogo, que, aliás, eram até mais priorizadas (leia-se: torneios para clubes). O que, de certa forma, foi até positivo, pois permitiu que uma maior variedade de opções referentes ao Mundial pudesse ser preparada para o jogo dedicado à competição. FIFA 10, por exemplo, deu atenção quase zero à Copa, no que aumentou ainda mais as expectativas do que pode ser esperado para o aguardado 2010 FIFA World Cup.
Confira os últimos jogos da relação. Caso lembre de algum jogo que não foi citado, mas mereceria alguma menção, é só citar que o colunista, no próximo texto, fará o devido reconhecimento. E, aproveitando a oportunidade, a coluna deseja a todos os leitores sinceros votos de um feliz 2010, cheio de realizações, dinheiro, e (o mais importante, claro) muito game.
França 1998 – Winning Eleven 3 – Final Ver. (Konami, 1999)
“Ué, esse game foi esquecido na última leva, que foi finalizada em 1998?”. Não. Embora não fosse exatamente “o game da Copa de 1998”, esse Winning Eleven, que não ganhou uma versão ocidental, ainda que fosse bastante conhecido por estas bandas, teve, no Oriente, direito de imagem e nomes oficiais de todos os elencos participantes do Mundial. A reprodução foi bastante fiel, alcançando inclusive às escalações das equipes. Basta lembrar, por exemplo, que o Brasil entrava em campo com com a dupla Ronaldo e Bebeto (com sua devida camisa 20), e Emerson já estava com a 11, antes de Romário, cortado dias antes da Copa.
Outro aspecto curioso desse WE3 eram os gráficos, melhor trabalhados, ainda que não os estádios franceses tenham sido deixados de lado. Como normalmente era feito na franquia, os campos seguiam sendo as habituais opções proporcionadas pela Konami (estádios nomeados apenas como A, B, C ou D). A única exceção foi o Stade de France, que ganhou traçados virtuais na versão. Os uniformes, dentro das limitações visuais do Playstation, também eram semelhantes aos originais. Mas o que chamava atenção era mesmo a rede do gol, provavelmente a mais funda, até hoje, da história da série Winning Eleven/Pro Evolution Soccer.
Ainda visualmente, para quem gosta de uma reprodução televisiva bem fiel, o jogo foi o primeiro da série a proporcionar o replay de chutes perigosos, além de disponibilizar a câmera televisiva, também de maneira pioneira na franquia. Muitos destaques, especialmente do ponto de vista gráfico, que, à ocasião, proporcionaram uma grande evolução em relação ao ocidental International Superstar Soccer Pro 98, preparando a série para iniciar seu ápice, com a chegada, tempos depois, de Winning Eleven 4. Apesar de “atrasado”, merece entrar na relação dos games “copeiros”.
Japão/Coréia do Sul 2002 – 2002 FIFA World Cup (EA Sports, 2002)
O primeiro Mundial realizado em dois países trouxe grande expectativa para os fãs do futebol virtual, até em virtude do sucesso de World Cup 98. Porém, se do ponto de vista técnico e visual, 2002 FIFA World Cup era mais bonito e interessante, o jogo pecou bastante nos modos de jogo existentes. Afinal, cabia ao jogador escolher apenas entre o Amistoso e a Copa do Mundo (em WC98, como citado na última coluna, há o modo World Cup Classics, onde é possível reviver partidas históricas de outros mundiais).
Vale lembrar, ainda, que o game teve suas doses de polêmica. O goleiro alemão Oliver Kahn conseguiu ganhar, na Justiça, um processo acerca de sua inclusão no game (o licenciamento dos jogadores é feito diretamente com a FIFPro, como comentado na entrevista com Jonathan Harris, diretor da EA no Brasil). Não bastasse, o arqueiro conseguiu que as vendas do game na Alemanha fossem suspensas. Em algumas colunas atrás, lembramos que o mesmo Kahn já havia exigido que seu nome ficasse de fora de Football Manager 2005, o que levou a Sports Interactive a “cutucá-lo” em seu “substituto”: Jens Mustermann (irrelevante, em alemão).
No fundo, 2002FWC é um FIFA 2002 com algumas evoluções visuais (uniformes e efeitos dos estádios quase perfeitos) e com a manutenção do desafio no controle de chutes e passes, à lá Winning Eleven, que se mostrou uma das maiores furadas da EA. O objetivo, claro, era assegurar maior dificuldade ao game e, de quebra, dar maior possibilidade ao jogador de simular os lances. Mas, como a franquia aprenderia games depois, a tacada não daria nada certo. E a própria evolução dos jogos de futebol poderia ter sido mais bem aproveitada pela EA Sports, com, ao menos, uma maior variedade de opções. Foi bom, mas dava para ser “um tiquinho” melhor.
Alemanha 2006 – 2006 FIFA World Cup (EA Sports, 2006)
Se o game anterior não atingiu o gosto desejado pelos mais aficionados, pode-se dizer que a versão especial do Mundial da Alemanha supriu com sobras a demanda dos fanáticos. Além do remodelamento dos menus, merece destaque a volta dos cenários “retrôs”, referentes a jogos de outras Copas do Mundo. Dessa vez, a opção de se jogar as eliminatórias para o maior torneio do futebol, antes encontradas nos FIFAs referentes ao ano da Copa, foi disponibilizada no game do Mundial.
Há 125 times vinculados à entidade disponíveis na versão, de todos os continentes, e o jogador pode escolher entre uma lista considerável de atletas para formar seu elenco. Chegando na Copa, pode filtrar quem lhe interessa para selecionar os 23 nomes que defenderão seu teclado na Alemanha virtual. Outro atrativo interessante são os objetivos “extra-Mundial” que podem ser alcançados ao longo do jogo, e que vão além simplesmente do ser campeão do mundo. Ao fundo, a trilha sonora também é variada, com os brasileiros Du Souto (com a música Ie Man Jah) e Sérgio Mendes (que aparece juntamente do Black Eyed Peas, em Mas que Nada).
2006FWC se notabilizou, principalmente por ser uma evolução considerável ao FIFA 2006, último da fase “crítica” da série da EA Sports, dando, portanto, um novo gás e esperança para a franquia nos anos seguintes. Essa melhora ficou mais evidente na versão para Xbox 360, a mais valorizada dentre todas as produções do game. O que faz sentido, já que a partir de 2007, com a chegada de FIFA aos demais consoles “next-gen”, como Playstation 3 e Wii, a série se reergueu e recuperou o posto principal no universo futebolístico virtual. Não se pode ignorar, portanto, o elo que o game da Copa da Alemanha teve nesse percurso.



