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Mundiais Virtuais (I)

Nas últimas semanas, o tema Copa do Mundo foi pauta das discussões de jornalistas e torcedores em todos os meios de comunicação possíveis, fosse com a expectativa de quem iria compor as oito chaves do Mundial na África do Sul, fosse no pós-sorteio, nas avaliações dos grupos. Evidentemente, no universo dos videogames, Copa do Mundo é também um evento especial, e que merece ser reproduzido para o mercado. Afinal, numa era de convergências midiáticas e de indústrias, nada mais apropriado do que a indústria dos games se aproveitar da futebolística, que ganha um “turbo” especial de quatro em quatro anos.

É assim desde 1986, quando surgiu o primeiro jogo mais especificamente voltado ao que é considerado o segundo maior acontecimento esportivo do mundo, e será em 2010, com o aguardado lançamento de FIFA World Cup 2010 — e que marcará o fim dos games futebolísticos no Playstation 2. E aproveitando a deixa, a coluna vai relembrar, nesta e na próxima coluna, os jogos referentes a antigas Copas do Mundo, seus pontos positivos, negativos e curiosidades. Nesta primeira leva, começar-se-á pelo desconhecido World Cup Carnival, finalizando com o ótimo World Cup 98, já sob “tutela” da EA Sports.

E por antecipação, já que o próximo texto sairá apenas no dia 27, o colunista deseja a todos os leitores um feliz Natal!

México 1986 – World Cup Carnival (U.S. Gold, 1986)

Tão desconhecido como o game que aqui será retratado, são as plataformas para as quais ele foi voltado (Spectrum, Amstrad e Commodore 64). Na verdade, estas não chegaram a se propagar pelo Brasil. Na ocasião, o mercado estava “oficialmente” fechado para importações, no que só mudaria lá pelos anos 90, culminando, inclusive, culminou com a vinda de Sega e Nintendo ao País. Tudo para dizer que, no fundo, exceto por ser o primeiro jogo oficial de Copa do Mundo, não perdemos muita coisa. Inicialmente, a Artic, uma das empresas desenvolvedora de jogos da época, havia obtido a licença para criar um game inovador, voltado ao Mundial, mas penou com problemas de produção e divulgação.

Resultado: com o prazo encurtado, a britânica (curiosamente) U.S. Gold assumiu a bronca, fez apenas algumas pequenas mudanças na base de dados de um jogo que já havia lançado há pouco tempo, em parceria com a própria Artic (World Cup Football), e lançou o World Cup Carnival, para ver se ainda conseguia capitalizar com a competição. Tal “maquiagem” foi rapidamente identificada e extremamente criticada na mídia, criando a ideia de que jogos de futebol baseados em franquias licenciadas são um fracasso. O que perduraria por algum tempo, como os leitores verão mais abaixo. Uma curiosidade: na imagem de fundo da caixa oficial do jogo, está a torcida do Fluminense.

Itália 1990 – Italy 1990 (U.S. Gold, 1989); World Championship Soccer: Italy'90 (Sega, 1990)

Apesar de fraco, World Cup Carnival motivou o surgimento de novos games. A U.S. Gold, que manteve os direitos de produção de jogos dos Mundiais, lançou Italy 1990, sobre o torneio a ocorrer na Terra da Bota. Dentre os destaques, está a modificação do ângulo da câmera e a disposição de todas as seleções classificadas (no game anterior, apenas a versão de Spectrum estava com a lista completa). Dessa vez, ao menos, não foram detectados problemas de divulgação ou produção, ainda que as avaliações especializadas continuassem a criticar muito a dificuldade da companhia em produzir um jogo de qualidade para a Copa. E com razão: tal como a Copa em si, Italy 1990 foi novamente um fiasco.

Isso abriu espaço para que World Championship Soccer: Italy'90, da Sega, ganhasse espaço. Lançado para diversas plataformas — dentre elas, o Master System, onde, no Brasil, o jogo ganhou o nome de Super Futebol —, tinha algumas similaridades com Italy 1990, especialmente na visão de jogo. Uma das novidades (sim, para a época, era novidade) permitia ao usuário, antes das partidas, selecionar quem iria a campo, tendo como base níveis pré-estabelecidos (chute, habilidade, etc.). Daí em diante, seguindo a “Lei de Gil”, valia tudo. Sem substituições e faltas, bastava ao usuário simplesmente chegar ao gol adversário.

No fundo, World Championship Soccer: Italy'90 era uma versão “atualizada” do WCS original, lançado em 1989 e sem pretensões de se tornar um game oficial do Mundial. De qualquer forma, serviu para agradar os mais aficionados na competição e dar uma aliviada na cobrança por uma reprodução virtual de Copa com qualidade.

Estados Unidos 1994 – World Cup USA'94 (U.S. Gold, 1994)

Após uma versão 1986 decepcionante e uma 1990 “limitada”, pode-se dizer que a edição 1994 foi — já que marcava a despedida da U.S. Gold das franquias de Copa do Mundo — um “adeus” razoável, mas sem deixar lá muitas saudades. Estruturalmente, pode-se até dizer que World Cup USA'94 era um jogo bastante completo. Além de possuir todas as 24 seleções classificadas para o torneio, contava, ainda, com França, Inglaterra e Dinamarca. Os grupos e calendários também eram oficiais, seguindo à risca o dia-a-dia do Mundial. Além disso, em versões como a de Super Nintendo, pode-se escolher o idioma — dentre eles, o português, simbolizado com uma bandeira do Brasil — para todos os menus.

O problema é que o jogo demorou muito para chegar às lojas — relatos de repórteres especializados alemães comentaram que as primeiras edições só foram liberadas já com a segunda fase do Mundial em andamento. E se o objetivo era atrair também o público gamer estadunidense para o soccer, não deu muito certo, já que, à essa altura, Bebeto já havia despachado os donos da casa. Locomover-se pelo game também é complicado. Os menus não possuem textos, e o usuário deve se basear apenas no desenho do cãozinho Striker para entender o que é determinado item (Copa, amistoso, opções, etc). E até jogar o primeiro confronto da Copa, o jogador deve simular cada um dos outros confrontos. Haja paciência…

França 1998 – World Cup 98 (EA Sports, 1998)

O passado, pode-se dizer, condenava os jogos de Copa do Mundo. Até 1998. Num processo que teve início em 1998, quando a EA Sports assumiu os direitos referentes a produção de games para os Mundiais, em maio do ano da Copa, foi lançado o jogo que calaria os críticos de 12 anos antes, lá da época do World Cup Carnival. Chegava as lojas World Cup 98, o primeiro game oficial a ser desenvolvido em 3D (exceto, obviamente, na versão de Game Boy Color). Foi pioneiro também na utilização de uniformes praticamente identicos aos das seleções que estiveram na França, com os mais ricos detalhes possíveis para a época.

Além disso, não apenas deixou para trás as avaliações medianas da crítica como chegou, em muitas outras, a ser posto como o maior jogo de futebol já lançado até então. Uma evolução da água para o vinho, motivada, principalmente, pela manutenção da engine do “eterno” FIFA 98, com o aprimoramento gráfico e dos bugs deste último. Outro fator foi a possibilidade de, ao se conquistar a Copa do Mundo, independentemente do nível, o jogador poder reviver finais históricas — algo que seria muito bem vindo no provável World Cup 2010 — de outros Mundiais, como o Brasil e Itália de 1970, o Alemanha Ocidental e Itália de 1982, e até mesmo mudar o fim de Brasil e Uruguai, de 1950.

Havia, ainda, a possibilidade de, diferentemente dos outros jogos de Copa, mudar a convocação prevista pelo game. Todas as seleções possuíam uma lista de jogadores que foram deixados de fora, mas que o usuário, se desejasse, poderia levar para a França. Quer dar uma chance a Zetti no gol da seleção? Ou convocar o Sonny Anderson?

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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