Michael Phelps, o gênio trabalhador

Para quem será, dentro de poucos dias o atleta com maior número de medalhas em Jogos Olímpicos, para quem já é o atleta com maior numero de medalhas de ouro ganhas em uma competição, Michael Phelps até que é um cara simpático.
Não é a simpatia, lógico, que atrai mais de cem jornalistas à sua entrevista. Também não é ela que faz com que boa parte saia, ignorando olimpicamente, os outros nadadores que esperavam por Phelps para atender a imprensa.
A simpatia não atrai jornalista – é uma obrigação ouvir o maior nadador da história – mas ajuda a que muitos ultrapassem a linha entre profissional e fã. Muita gente vai torcer por Phelps a conquistar a última fronteira. Se conseguir mais três medalhas chegará a 19 e superará a ginasta russa Larisa Latynina, que subiu 18 vezes ao pódio entre 1956 e 1964.
Ao lado do treinador Bob Bowman Phelps ri muito e brinca nas respostas. E nelas, tanto o técnico como o pupilo insistem no valor do trabalho. Como ser uma lenda olímpica? “Michael tem muitas qualidades físicas, começou cedo em um grande clube, teve o apoio dos pais, que conhecem o valor do esporte, mas o principal é que gosta de trabalhar. Nunca conheci alguém como ele, que treine tanto”, diz Bob. “É a última vez”, brinca Phelps. O principal, para mim, é que sigo o planejamento que meu técnico faz. Apenas isso”.
Simples, não é? Não deve ser apenas isso. Ou melhor, para os outros não basta isso. Para ele, talvez sim. Ele é o cara a ser batido. E pode pensar apenas no seu trabalho. Os outros é que precisam descobrir fórmulas para vencê-lo. É o que Phelps deixa claro ao responder três perguntas consecutivas.
Os australianos dos 4x100m livres são chamados de equipe de destruição em massa. O que vc acha disso. “Eu concordo. São muito bons, mas nós também somos.
O que você pensa da evolução de Takeshi Matuda nos 200m borboleta?. “Ele está cada vez melhor, cada vez mais perto, mas eu tenho é de pensar no meu trabalho, não no dele.
Ryan Lotche está fazendo um bom trabalho com pesos, qual é sua opinião? “Eu também tenho acrescentado alguma coisa de outros esportes, feito boxe e seguido meu trabalho”.
Ser um gênio do esporte, trabalhar muito e sempre concentrado podem te dar, como dão a Phelps, o direito de tratar a Olimpíada como uma competição a mais. “Algumas pessoas se expressam falando e eu faço isso nadando. Digam o que disserem, a competição olímpica é como outra qualquer. Uma semana em que se trabalha duro para se conseguir resultados. Isso é o que importa. A diferença é que, em relação às outras duas Olimpíadas, a comida aqui é melhor”.
AS PROVAS – Phelps disputará os revezamentos dos 100m livres, medley e 200 m livres. Além disso, disputará os 100m borboleta, os 200m borboleta, 100m medley e 400m medley. Apesar de haver vencido a seletiva dos Estados Unidos nos 200m livres, não participará dessa prova. Serão “apenas” sete das oito que venceu em Pequim-2008. Não será fácil repetir a dose. Nos 400m medley, por exemplo, está sendo vencido por Ryan Lotche, que ficou com cinco medalhas de ouro no Mundial. Phelps ganhou quatro. “Gostaria de manter todos os títulos, vou lutar por eles. Na última Olimpíada, cheguei à conclusão de que seria possível nadar todas aquelas provas. E nadei. Agora, achei que seria bom nadas sete. Vou nadar”.
Não sei não, mas apesar de toda a simpatia, essa frase soa como uma ameaça.



