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Maradona apoia o uso do árbitro de vídeo, mesmo tendo marcado aquele gol com a mão

Maradona marcou o gol irregular mais famoso da história das Copas, quando subiu com o braço esticado para superar Peter Shilton, nas quartas de final de 1986, contra a Inglaterra. Um toque de mão tão claro – e, para os argentinos, divino – que certamente seria anulado, caso houvesse árbitro de vídeo à disposição naquela época. Mesmo assim, o craque argentino, um embaixador da Fifa, colocou o seu apoio atrás da tecnologia que vem sendo testada e cujo último grande exame foi na Copa das Confederações.

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El Pibe é ligado ao presidente da entidade, Gianni Infantino, um dos entusiastas do árbitro de vídeo, embora nem sempre tenha sido assim. Ano passado, chegou a chamá-lo de “traidor”, mas parece ter mudado de ideia porque, desde então, tornou-se embaixador da Fifa e participou de uma pelada em homenagem ao suíço, ao lado de lendas como Maldini, Buffon, Ronaldo e Seedorf.

“Dados o ritmo do avanço da tecnologia, e o fato de que todos os esportes a usam, como podemos pensar em não usá-la no futebol?”, afirmou, em entrevista ao site da Fifa. “As pessoas costumavam dizer que se perderia tempo, que causaria muitas chateações. Mas não é este o caso. As pessoas se chateiam quando algo que deveria ser validado não é, ou quando um gol é irregularmente anulado. A tecnologia traz transparência e qualidade, e isso é um bom resultado para as equipes que decidem atacar e correr riscos”.

Não que precisasse, mas Maradona admitiu que seu gol contra a Inglaterra teria sido anulado pelo árbitro de vídeo. “Claro que eu penso nisso sempre que apoio o uso da tecnologia”, afirmou. “Eu pensei nisso e, claro, aquele gol teria sido anulado. E vou dizer algo mais: na Copa do Mundo de 1990, eu usei minha mão para cortar uma bola em cima da linha contra a União Soviética. Tivemos sorte porque o árbitro não viu. Você não podia usar a tecnologia naquela época, mas é uma história diferente agora”.

Antecipando-se à reclamação dos ingleses, o craque fez uma lembrança: “Não é apenas o meu gol em 1986 que não teria contado. Não vamos esquecer que a Inglaterra venceu a Copa do Mundo em 1966 com um gol em que a bola não cruzou a linha. E aí, aconteceu de novo em 2010, quando o chute de Lampard cruzou a linha contra a Alemanha, mas não foi validado. A Inglaterra tinha a bola e marcou o gol que merecia, mas a Alemanha cresceu em confiança depois disso, e a partida mudou completamente”. Resultado final: 4 a 1 para os alemães. “Houve vários incidentes que mudaram a história da Copa do Mundo, que seria diferente com a tecnologia. É hora de mudar isso”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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