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Las Leonas sonham com rivalidade contra o Brasil

A rivalidade eterna entre Brasil e Argentina passa ao largo do hóquei. É um esporte praticamente desconhecido para nós, enquanto Las Leonas, o time são uma instituição nacional para os argentinos, após ganharem uma prata e dois bronzes nas três útimas Olimpíadas. “Todas as garotas argentinas são fanáticas por Las Leonas. Todas sonham em jogar com elas. Minha sobrinha é assim, assim como quase todas”, diz o jornalista Sérgio Ferraro.

“Eu gostaria muito que o Brasil tivesse um time muito forte para que a gente pudesse fazer um clássico sul-americano. Isso seria fantástico”, diz a atacante Martina Cavallero, após a derrota para os EUA na segunda rodada. “Uruguai e Chile estão melhorando e sei que existem algumas garotas brasileiras começando a jogar. Tomara que continuem porque isso significaria um desenvolvimento maior para o nosso esporte”, afirma.

Martina joga no clube Hurling, de ascendência inglesa, é lógico. Desde pequena, cumpriu a lógica existente em famílias de classe média-alta argentina: as filhas praticam hóquei e os garotos vão para o rugby. Hoje, ela garante que não é mais assim. “O hóquei está muito popularizado. Há muito mais pessoas jogando, não se trata mais de uma coisa de clubes. Tenho 22 anos, estou começando e tenho certeza que, se pararmos agora, já haveria uma nova geração”.

Las Leonas passaram a ser um sucesso em 1996, quando disputaram a Olimpíada e ficaram em sétimo lugar. Depois, os sucessos foram se acumulando. “Na Olimpíada de Sydney, em 2000, os argentinos acordavam de madrugada para ver as meninas jogaram. Ficaram com a prata. O sucesso delas, combinado com o fracasso dos outros esportes coletivos femininos fez com que elas se tornassem um fenômeno”, conta Ferraro.

A caminho da zona de imprensa, é possível perceber isso. Um jornalista analisa, em alto som, o resultado. “Nos faltou volume de jogo e alguns destaques individuais, como Luciana Aimar, não brilharam”, diz. Difícil imaginar no Brail um comentarista esportivo especializado em hóquei.

Luciana Aimar é a cara vitoriosa do hóquei. Capitã do time, porta-bandeira da delegação, é capa de revista e presença constante na televisão. “Luciana é um espelho para as mais jovens. Por ela, conseguimos a massificação e a garantia de bons resultados por anos”, afirma Delfina Medino, atacante.

Para manter os bons resultados – o time é bicampeão mundial – a federação implantou um programa para a formação de atletas, árbitros e treinadores. “Isso é muito bom, todas nós vibramos com essa notícia”, diz a defensora Daniela Sruoga.

Assim, vai ser dificil que um dia haja rivalidade entre Brasil e Argentina no hóquei.

 

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Equipe Trivela

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