La Liga critica mudanças anunciadas pela Fifa: “Desprezo à comunidade do futebol mundial no geral”
A liga espanhola ficou particularmente irritada por não ter sido consultada sobre o novo Mundial de Clubes anual
Entre todas as ligas do mundo, La Liga é a que mais faz questão de deixar claro que não gosta de alguma coisa. Em um comunicado com linguagem forte, criticou as mudanças apresentadas pela Fifa na última terça-feira em um congresso em Ruanda. Afirmou que o Fórum Mundial de Ligas analisará as decisões antes de informar os “próximos passos”, citando uma processo que a liga espanhola já apresentou à Corte Arbitral do Esporte pelos “anúncios unilaterais” sobre o formato do novo Mundial de Clubes.
A Fifa confirmou que a Copa do Mundo expandida para 48 seleções continuará com grupos de quatro seleções, o que significa que mais datas serão necessárias, e que também manterá um Mundial de Clubes anual em que os representantes dos outros continentes se matam antes de enfrentar o campeão europeu em uma decisão. Sem falar no Mundial de Clubes que pretende realizar a cada quatro anos com 32 equipes. La Liga está preocupada com o que isso fará a um calendário já sobrecarregado.
“A Fifa continua com sua prática ruim de tomar decisões unilaterais sobre o calendário do futebol mundial, exibindo completo desprezo à importância dos campeonatos nacionais e à comunidade do futebol no geral. A Fifa negligencia completamente os danos econômicos que essas decisões infringem às ligas ao redor do mundo. As ligas não foram consultadas sobre nenhuma das mudanças apresentadas, especialmente sobre a nova competição anual de clubes, a qual desconhecíamos completamente e que afeta seriamente nossas competições”, afirmou.
“Essas decisões não levam em consideração os impactos competitivo, esportivo e econômico às ligas nacionais, clubes e jogadores, ao sobrecarregar ainda mais um calendário já sobrecarregado. A Fifa leva em conta apenas um pequeno grupo de clubes e jogadores. No ecossistema do futebol profissional, há muitas ligas profissionais, milhares de clubes e jogadores que não participam de competições internacionais, mas que são afetados. A Fifa parece se esquecer disso e pensa apenas em poucos, ignorando o efeito em todo o futebol profissional”.
“Logo, com essas medidas, a Fifa se afasta do objetivo de proteger os interesses do ecossistema do futebol, no qual um ambiente de equilíbrio entre futebol nacional e internacional precisa ser fomentado em benefício do futebol no geral”, concluiu.
O novo formato para o Mundial de Clubes anual na realidade reduziu uma data ao representante europeu, que agora disputará apenas a final, em campo neutro, contra o vencedor dos “playoffs intercontinentais”, que incluirão campeões de outros continentes. Segundo o comunicado da Fifa, a manutenção de um torneio com essa natureza realizado todos anos foi um pedido das confederações porque jogar entre si “estimula a competitividade”.