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Kashima mostrou valentia do início ao fim, mas, na final, deu Real, o maior campeão do mundo

Campeão oceânico, africano, sul-americano ou europeu, não importa. O que o Kashima Antlers jogou contra o Auckland City, jogou contra o Mamelodi Sundowns, o Atlético Nacional e, por último, o Real Madrid. A trajetória grifada pela valentia do time convidado e campeão da J-League no Mundial de Clubes ficará marcada para sempre na história do futebol asiático. Afinal, foi o primeiro clube do continente a chegar à última fase. Não por sorte ou por um acaso. Por puro merecimento e para mostrar que o futebol japonês prospera e hoje pode estar no lugar dos clubes que recebeu ao longo dos anos no Intercontinental e o Mundial de Clubes. Contudo, na final, deu Real. Em um jogo agitado, com emoções do início ao fim e envolvido por polêmicas em relação a pênalti e expulsão, quem levou a melhor foram os merengues. Pela quinta vez.

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O Real Madrid ultrapassou o Milan no número de títulos mundiais e é o maior campeão do planeta neste sentido. São cinco taças entre Copa Intercontinental e Mundial de Clubes. Mas o troféu não esteve nas mãos dos espanhóis durante os pouco mais de 120 minutos de jogo e prorrogação. O Kashima mandou para escanteio a zebra e mostrou que estava ali para jogar de igual para igual. E assim o fez o tempo inteiro, mesmo estando em desvantagem no placar na maior parte dele, e mesmo tomando um gol consideravelmente cedo. Aos nove minutos de bola rolando, Karim Benzema fez 1 a 0 para o Real, que começou a partida sendo um pouco superior e se movimentando mais, mas tinha o time japonês ali, ostensivo e com marcação alta, pressionando a saída dos merengues do campo de defesa.

Foi o primeiro gol do Real e o único do francês no jogo em que ele foi, sem dúvidas, o grande nome do lado europeu na final. E isso mesmo sem ter sido literalmente decisivo. Benzema mostrou mobilidade pelo ataque inteiro, e não se limitou a ficar em sua posição ou cumprir apenas o que ela requer. Fez o dele, para abrir o placar, e ainda deu uma bola nos pés de Cristiano Ronaldo para desempatar o jogo na prorrogação, igualado e virado por Gaku Shibasaki. Antes do árbitro marcar falta de Shuto Yamamoto sobre Lucas Vázquez dentro da área e Cristiano Ronaldo cobrar o pênalti e fazer o primeiro dele, os comandados por Zinedine Zidane foram surpreendidos pelo faro de gol apurado do volante japonês, responsável pelos 2 a 1 do Kashima aos sétimo minutos da segunda etapa.

No tempo extra, e mesmo após o gol de Cristiano Ronaldo com assistência de Benzema, o do 3 a 2, o Kashima manteve a postura e o vigor. Em nenhum momento os japoneses abaixaram a cabeça ou demonstraram estar afetados pelo placar desfavorável. Nem mesmo o episódio envolvendo o juiz e Sergio Ramos abalou os campeões da J-League, que estiveram de parabéns pela garra, pelo comportamento técnico, pelo jogo tático, e, principalmente, por terem se mantido firmes psicologicamente diante de um lance bastante injusto.

O zagueiro espanhol, já amarelado, cometeu falta em cima de Mu Kanazaki. Isso faltando menos de dois minutos para o apito final no tempo regulamentar. O juiz não titubeou, já que o lance foi bem sobre os seus olhos, e logo levou a mão ao bolso, para tirar o cartão vermelho. No entanto, o árbitro recuou antes de mostrar o cartão para Sergio Ramos. A impressão é que ele ia o fazer, mas recebeu ordens pelo ponto eletrônico para que não o fizesse. A falta aconteceu a poucos centímetros dele e com certeza ele entendeu que era motivo de expulsão por conta do segundo amarelo. Mas o que ficou subentendido é que alguém disse que a falta não era digna de cartão, ou então que mandar o defensor para fora do campo “atrapalharia o espetáculo”, como muitos conservadores e pessoas contrárias ao uso de vídeo no futebol, por exemplo, costumam bradar às vezes. Na verdade, o que atrapalhou foi justamente o oposto de expulsar o zagueiro, embora o Kashima tenha se mostrado firme para buscar o título independente disso.

Fazendo 1 a 0 com menos de dez minutos de partida, o Real Madrid deu uma diminuída em seu ritmo e acabou tomando a virada de um Kashima aguerrido e agitado. Porém, no geral, a partida foi bastante movimentada. Depois de ter ficado em desvantagem no placar, os merengues voltaram ao compasso de antes e ambos os lados deram ânimo ao jogo. Foi uma partida bem jogada, com bastante gols, os quais saíram, em sua maioria, em falhas pontuais, e com poucos cartões amarelos para uma decisão de Mundial de Clubes. Com o hat-trick marcado neste domingo, Cristiano Ronaldo se tornou o segundo jogador a marcar três gols em uma final internacional (Pelé foi o primeiro, contra o Benfica, em 1962) e agora soma 40 ‘tripletas’ desde que chegou ao clube que é o maior campeão espanhol, europeu e, agora, mundial.

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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