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Kashima e América avançam no Mundial em busca do sonho que persegue Japão e México

Japão e México estão entre os países que mais enviaram representantes ao Mundial de Clubes. Apenas o Brasil teve tantos times diferentes disputando a competição desde que passou a ser organizada pela Fifa, em 2000 e a partir de 2005. No entanto, o sonho de disputar uma final nunca se concretizou para ambos. Os japoneses até contaram com bons times neste intervalo, mas nenhum que fosse capaz de surpreender além das semifinais. Nas cinco participações anteriores, em quatro os times da J-League caíram nesta etapa, e em três ficaram com o bronze. Já os mexicanos fizeram fama pelas expectativas nunca cumpridas, com dois míseros terceiros lugares em 11 presenças – e um deles ainda com o Necaxa, em 2000. Mais uma chance para os dois países acontecerá em 2016: Kashima Antlers e América do México se classificaram às semifinais do torneio, tentando derrubar os favoritos.

Em sua primeira participação no Mundial, depois de ficar de fora “por azar” no final dos anos 2000, o Kashima Antlers vem fazendo a sua parte. Primeiro, bateu de virada o Auckland City na estreia. E se garantiu contra o Mamelodi Sundowns neste domingo, derrotando os campeões africanos por 2 a 0. O primeiro tempo foi de pressão dos sul-africanos, com o goleiro Sogahata salvando a pátria. Já na segunda etapa, os japoneses mudaram a postura e construíram o resultado. Yasushi Endo abriu o placar aos 18 minutos, com colaboração do goleiro Denis Onyango. No final, o talismã Mu Kanazaki deu números finais.

O Kashima não é, no papel, o mais forte dos representantes que o Japão teve no Mundial. Mesmo assim, consegue cumprir o esperado, apesar dos apertos que passou. Agora, chega à semifinal como franco atirador, em busca da inédita decisão ao país. Pega o Atlético Nacional, que se prepara especialmente à competição. E enfrentar situações adversas não é muito problema para os Antlers, capazes de uma grande virada contra o Urawa Red Diamonds na decisão da J-League, há uma semana. De qualquer maneira, a classificação seria uma completa zebra.

O América, por sua vez, se classificou de virada. Saiu atrás no placar, mas conseguiu buscar o 2 a 1 sobre o Jeonbuk Hyundai Motors. Bo-Kyung Kim colocou os campeões asiáticos em vantagem durante o primeiro tempo. Já a reação das Águilas aconteceu só na segunda etapa, graças às bolas alçadas na área. Ex-atacante do Lanús, o argentino Silvio Romero foi o herói, autor de ambos os gols. Aproveitou o cruzamento do equatoriano Michael Arroyo para empatar e definiu aos 29, em uma bola espirrada que desviou na marcação antes de entrar.

Em teoria, o América possui um time competitivo. O elenco multinacional de Ricardo La Volpe conta com jogadores sete nacionalidades diferentes, muitos deles com passagens por seleções. O problema é se equiparar ao Real Madrid, invicto há 35 partidas. E o futebol demonstrado neste domingo não foi tão animador. Parece pouco para reverter um quadro crônico dos mexicanos no Mundial. Em suas duas participações anteriores, as Águilas foram engolidas pelo Barcelona nas semifinais de 2006, perdendo por 4 a 0, enquanto não passaram das quartas de final em 2015, contra o Guangzhou Evergrande.

As partidas das semifinais acontecem durante a semana. O Atlético Nacional encara o Kashima Antlers na quarta-feira, às 8h30 (horário de Brasília), enquanto o Real Madrid pega o América na quinta, no mesmo horário.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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