Já matou seu voluntário hoje?
Não é nada pessoal. Seu pai pode ter sido um, sua mãe pode ser agora, sua filha pode ser um dia. Eu já quis que minha sobrinha fosse. Mas não aguento mais voluntário.
Quando vejo esse monte de ingleses de terceira idade andando de lá para cá, de cá para lá, orgulhosos como seus ancestrais conquistadores, dando informação, impedindo a passagem, dizendo onde pode e onde não posso ficar, só consigo pensar em quantos empregos estão roubando.
Se ninguém fosse voluntário, trabalhadores desempregados poderiam ser contratados. Por pouco que fosse, haveria algo para comer. Esses homeless que estão nas ruas de Londres poderiam ser voluntários pagos.
Trabalhar sem ganhar é falta de caráter. É dar lucro a mais para o patrão. Vejo esses senhores engravatados do esporte – quanto foi mesmo que Ricardo Teixeira e João Havelange roubaram? – e penso que daria, sim, para pagar funcionários que fizessem o que as vovós e vovôs estão fazendo.
De preferência, que contratassem desempregados e jovens estudantes de língua. Voluntário monoglota é tão inútil como vendedor de Chicabon no Polo Norte.
Por que as pessoas aceitam sair de casa, sem ganhar nada, para levar o sanduba que ainda não acabei para a lixeira? É a vontade se se sentir parte de algo grandioso, de dizer que ajudou a fazer a Olimpíada? Bem, se for isso, o caso é mais grave.
Quer dizer que eles acreditam na propaganda do McDonalds que garante que não haveria Olimpíada sem eles? Não é possível que alguém ACREDITE NISSO. Nesse caso, ou é muito arrogante, ou muito burro.
Olimpíada sem voluntário, com gente qualificada e bem paga para fazer seu trabalho seria muito melhor. E tem dinheiro para isso.



