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Ironia de Drogba contra ato racista é uma resposta à altura

Estamos em pleno ano de 2013 e ainda são frequentes os abusos racistas vindos das arquibancadas mundo afora. Na Turquia, no maior clássico nacional, torcedores do Fenerbahçe não fugiram a essa conduta repreensível e causaram a ira de Didier Drogba.

Uma briga entre os atletas ainda serviu de plano de fundo para as manifestações com conotações raciais de alguns torcedores, inclusive um deles até foi fotografado segurando uma banana e mirando para os atletas do Galatasaray. Em campo, o Fenerbahçe venceu por 2 a 1 com dois gols do camaronês Pierre Webó.

Fora dele, Drogba resolveu reagir aos insultos aos seus colegas e foi duro ao passar uma mensagem ao torcedor que iniciou a onda de ofensas nas bancadas. Em declaração à página oficial do Galatasaray no Facebook, o marfinense soube bem usar sua fúria como desabafo: “Você me chama de macaco, mas chorou quando o Chelsea bateu o Fenerbahçe em 2008. Me chama de macaco mas pulou na frente da sua TV quando venci a Liga dos Campeões. Me chama de macaco mas ficou possesso quando venci o Campeonato Turco com o Galatasaray. O mais triste de tudo é que você me chama disso, mas pulou quando meu ‘irmão macaco’ Webó marcou duas vezes no clássico. E você ainda se acha um verdadeiro torcedor? Olhe os comentários dos nossos torcedores e aprenda com eles”.

A alfinetada do atacante é também um ataque contra a hipocrisia que toma conta de alguns setores nas bancadas. É pura idiotice atacar o seu rival e esquecer que um dos heróis do seu próprio time também é atingido por essas ofensas. Não há punição da Uefa que eduque quem frequenta os estádios. As últimas sanções mostram que esse tipo de comportamento sempre terá espaço enquanto as leis não forem rígidas o bastante para reprimir o racismo.

E quando nem a lei é suficiente para tal, talvez seja o ponto de reconhecermos que o problema é mesmo o ser humano, não as legislações. Drogba não combateu o ódio com mais ódio, e sim levou o torcedor a repensar o seu comportamento. Ainda que isso não cause nenhum efeito, há de se reconhecer o espírito do marfinense.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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