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Infantino comenta polêmica do salário na Fifa e diz que inimigos querem pintá-lo como ganancioso

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfrenta as suas primeiras crises no comando da entidade. Eleito em fevereiro para suceder Joseph Blatter e, em 100 dias no cargo, já enfrenta problemas. Um deles é que o dirigente teria recusado uma proposta de salário de US$ 2 milhões por ano por considerar “um insulto”. A informação de um jornal alemão foi negada por ele, que diz que o seu salário, embora ainda não definido, será menor que esse valor.

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“Meu contrato está sendo negociado e este não é o local para revelar os detalhes”, disse Infantino em entrevista aos jornais Le Matin, em francês, e Sonntagszeitung, em alemão, ambos da Suíça. “Contudo, uma vez que eu assinar, eu irei mostrar a vocês, com prazer, os detalhes e vocês verão que será menor que os US$ 2 milhões que a imprensa tem mencionado”.

“Meus inimigos querem me fazer parecer ganancioso”, afirmou. “Eu não roubei nada. Tudo que eu ganhei na minha vida foi graças ao meu trabalho. Eu não nasci em berço de ouro”, disse ainda o dirigente.

A primeira crise que Infantino teve que lidar no seu primeiro Congresso, no México, foi o pedido de demissão de Domenico Scala. Tudo porque foram aprovadas medidas que, na visão de Scala e da maioria dos analistas, tirou a independência dos comitês da Fifa, incluindo o de ética e de reformas. Mais do que isso, afirmou que as reformas foram minadas.

Infantino acha que a atitude de Scala foi “uma peça de teatro”. “Foi uma atitude infantil, digna de playground. Eu não quero mais dar atenção a isso”, disse o presidente da Fifa. O ítalo-suíço negou a acusação de Scala que o Conselho da Fifa, com as mudanças, pode influenciar as investigações do Comitê de Ética.

“Os fatos provam isso e mostrarão isso no futuro”, afirmou. “Domenico Scala está enganado na sua análise. Ele acha que futebol pode ser administrado com os mesmos princípios de uma empresa farmacêutica ou uma fabricante de pesticida. Este é um grande erro de avaliação, uma vez que subestima a paixão do futebol, bem como a sua dimensão geopolítica”, disse.

O que sabemos é que as reformas cantadas em verso e prosa por Infantino na sua curta e vitoriosa campanha para se tornar presidente da Fifa não saíram do papel, ao menos em sua maioria. A Fifa teve algumas mudanças e que foram positivas, mas ainda há muito a se fazer.

Por enquanto, a imagem da Fifa ainda está muito comprometida. Infantino precisará fazer mais para melhorar a forma como a entidade é vista, mas principalmente para tornar a Fifa uma entidade que de fato faz bem ao futebol. Até aqui, vimos um dirigente que é bom de discurso, tem falado muito sobre o que fazer, mas temos visto pouco na prática. Há o desconto de 100 dias serem pouco, mas a cobrança é que ele faça mais do que tem feito. Até aqui, Infantino não conseguiu mostrar que a Fifa está em um caminho de mudança.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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