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A ideia de Blatter para punir simulações no fim do jogo é boa, mas vazia

Nem tudo que Joseph Blatter fala é bobagem. Na sua coluna semanal no site da Fifa, o presidente da entidade que administra o futebol apareceu com uma boa ideia para punir os jogadores que simularem lesões graves no final das partidas para ganhar um pouco de tempo.

É muito comum o jogador, ou candidato a ator de Malhação, achar que está em um filme de guerra e cair de dor no gramado como se tivesse levado um tiro de canhão na orelha. Segundos depois, está de pé, pulando e correndo, de volta à ação. Blatter propôs uma punição de tempo para o atleta que fizer isso.

“Eu acho muito irritante quando jogadores semi-mortos voltam à vida assim que saem do gramado”, escreveu. “O árbitro pode fazer o jogador esperar até que a desvantagem numérica tenha efeito no jogo. Em termos práticos, é uma punição de tempo, e pode fazer os ‘atores’ pensarem melhor. A linha lateral parece ter adquirido o poder de ressuscitação e mesmo os melhores médicos não conseguem explicar”.

Viram só? Blatter foi até engraçado, e a ideia dele é boa. O presidente da Fifa disse que muitas pessoas consideram esse tipo de atitude como “esperteza”, a tal da “malandragem boa”, mas na verdade é uma injustiça, e tem razão. O problema é que ele deu um exemplo de efeito prático muito vazio para essa nova lei. Afinal, quanto tempo o jogador vai ficar afastado do jogo? Um minuto? Dois? 73 segundos? O que é considerado efeito de uma desvantagem númerica? O árbitro define da cabeça dele? Não fica subjetivo de mais?

Além disso, o árbitro vai precisar avaliar se a lesão do jogador é real ou não, e a formação médica dos apitadores não costuma ser muito mais extensa do que alguns episódios de Plantão Médico. Essa é a opinião do ex-árbitro inglês Dermot Gallagher, em entrevista à BBC. “Você vai precisar de um árbitro muito, muito valente para dizer que um jogador não está machucado. Não sei se é uma solução real”, disse.

Enfim, Blatter teve uma boa ideia, teve razão e foi engraçado em uma mesma coluna. Mais do que isso talvez seja realmente pedir muito.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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