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Governo russo proíbe a contratação de jogadores turcos por clubes locais na próxima janela

O futebol está mais uma vez diretamente envolvido no clima político intenso que permeia a Europa nas últimas semanas. Após os ataques a Paris do último dia 13 incluírem entre seus alvos o Stade de France e depois da revelação de um plano de atentado à HDI-Arena, em Hanôver, que cancelou o amistoso entre Alemanha e Holanda no dia 17, foi a vez de as tensões entre a Rússia e a Turquia ressoarem no futebol. Neste domingo, Vitaly Mutko, ministro dos Esportes russo, anunciou a proibição da contratação de jogadores turcos por clubes russos na próxima janela de transferência.

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Em entrevista à agência de notícias R-Sport, Mutko anunciou a decisão, contando que todos os clubes da Rússia já sabem da proibição, que valerá para a janela de janeiro de 2016: “Se alguém quiser (contratar um jogador turco) durante a próxima janela de transferências na pausa de inverno, não haverá tal possibilidade. Não precisamos nos precipitar muito, mas os clubes já receberam a mensagem”.

Jogadores turcos que já estejam atuando na Rússia, como Gokdeniz Karadeniz, que chegou ao futebol russo em 2008 para defender o Rubin Kazan, não correm o risco de serem mandados embora. “Todos que têm um contrato vigente continuarão trabalhando”, explicou o ministro, que ainda disse que a continuidade também se estende às empresas turcas trabalhando nas obras de construção dos estádios da Copa do Mundo de 2018: “Elas não estarão aqui no futuro, mas no momento têm contratos, e estes serão cumpridos”.

A imposição aos clubes de futebol é apenas parte de uma das sanções econômicas à Turquia anunciadas por Vladimir Putin, que diz que as empresas russas estão proibidas de empregar turcos. Além disso, o decreto firmado pelo presidente suspende os voos fretados entre os dois países e restabelece, a partir de 1º de janeiro, a exigência de vistos entre os dois países.

A ação de Putin é uma represália a um ataque de caças turcos a um avião militar russo, na última terça-feira, sobre a fronteira síria. O avião teria violado o espaço aéreo da Turquia e, segundo o Exército turco, foi avisado dez vezes em um intervalo de cinco minutos antes de ser abatido. Moscou, por outro lado, afirma poder provar que seu avião não deixou o espaço aéreo sírio. Neste sábado, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, expressou lamentação e pediu desculpas à Rússia pelo incidente, mas a situação está longe de ter um desfecho. Enquanto isso, é de se esperar que as restrições russas sejam mantidas, inclusive no futebol.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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