
Muitos dos leitores de Trivela dificilmente estão fora de alguma rede social, e, em especial, os sites de relacionamento, como Orkut e Facebook. Os mais atentos certamente repararam que, há um tempo, esses sites contam com games dos mais diversos tipos e naturezas. E, com certeza, notaram que estes jogos se tornaram um verdadeiro fenômeno na rede.
É fato que os aplicativos mais populares são os curiosos Colheita Feliz (Orkut) e Farmville (Facebook). Porém, o futebol também foi lembrado. E em ambas as redes. Se, há mais tempo (desde junho do ano passado), há o Joga Craque, que pouco depois se tornou um dos fenômenos dentre os aplicativos do Orkut, o Facebook conta com o novo Bola Social Soccer, já em atividade e com um formato interessante, mas ainda em desenvolvendo.
Nesta semana, será comentado o primeiro dos games criados, o Joga Craque, da Vostu (a mesma do recém-criado Mini Fazenda, “rival” do Colheita Feliz e que, em janeiro, reuniu 8 milhões de jogadores). Na coluna que vem, será a vez do Bola Social Soccer, da argentina Three Melons e dono de um curioso exemplo de marketing por intermédio dos jogos virtuais.
Introduzindo
Mesmo sendo um game bastante simples, sob a ótica visual, sonora e de possibilidades — até em virtude de seu público, algo que vamos falar um pouco adiante — trata-se de um verdadeiro jogo ao estilo Massive Multiplayer (MMORPG). Ou seja: está na mesma categoria de Ragnarok e World of Warcraft, dentre outros mais “tradicionais”.
O objetivo é o básico de um RPG, tendo como plano de fundo o futebol: você possui um personagem (um menino sonhador e habilidoso) e quer que ele seja o melhor do game (no caso, o melhor jogador do mundo). Para tal, precisa adquirir pontos de experiência e, com isso, subir níveis. Essa experiência é conquistada com trabalhos, que variam conforme se é promovido de fase na carreira (garoto, gandula, etc.).
A cada nível elevado, ganham-se pontos a serem investidos nos cinco atributos que regem os jogadores: ataque, defesa, saúde, vitalidade e energia. Os quatro primeiros são essenciais para os desafios contra outros internautas. O último (energia) diz respeito aos trabalhos, pois, quanto mais pontos nesse atributo forem aplicados, maiores as resistência e chances de ganhar dinheiro para “comprar” habilidades.
Os trabalhos também adquirem dimensões diferentes. O primeiro emprego, por exemplo, pode ser “vender dogão na porta do estádio”, ou “vender fogos de artifício”. O primeiro paga melhor, mas é importante saber dosar quando fazer determinado trabalho, já que, para cada serviço, gasta-se um pouco de energia. E o dinheiro servirá para comprar roupas, itens e jogadas, como drible, cobranças laterais e até tabelinhas.
Quanto mais pontos de ataque ou defesa, evidentemente, maior a possibilidade de marcar gols e se defender, respectivamente. A saúde é o que, nos jogos de aventura, os mais antigos apelidavam de “vida”, ou “life”. Maior a pontuação, maior a possibilidade de encarar os desafios. Já a vitalidade indica qual a resistência do jogador, e quais as chances dele jogar vários desafios consecutivamente.
Os desafios nada mais são do que partidas “imaginárias” entre você e um rival da internet que não esteja na sua lista de amigos. E mesmo para quem curte Elifoot, não dá para negar que o jogo em si poderia ter uma açãozinha maior. O tempo rola na tela, e, enquanto isso, resta ao usuário ficar na torcida. É quando os pontos de ataque e defesa, além das jogadas adquiridas fazem diferença.
É evidente que Joga Craque está longe do que os mais inveterados poderiam achar espetacular. E de fato, mesmo em sua simplicidade, tem alguns deslizes. Em tese, um RPG deveria envolver uma série de missões mais complexas, e isso não se vê. O próprio ato de jogar, como citado no parágrafo acima, resume-se a olhar e torcer pelo resultado. Em Elifoot, ao menos, escolhiam-se os jogadores e o esquema…
Além da bola
Mas e daí? Por mais que boa parte dos jogadores tenha alguma preferência no futebol, Joga Craque encaixa-se no hall de games totalmente casuais. Mesmo não sendo os “top-players”, muitos dos usuários deste aplicativo são simplesmente pessoas frequentadoras assíduas de redes sociais, que, para se divertir, adentraram nesse universo. E, sem perceber, começam a fazer parte do meio gamer e, dessa forma, movimentam a indústria.
Até por isso, analisar um jogo voltado a esse perfil casual não pode se resumir a ver o jogo do ponto de vista técnico — que, como dito, tem defeitinhos chatos. Afinal, esse tipo de jogador não se apega a detalhes, e contenta-se com o todo. E de fato, Joga Craque (e muitos dos demais jogos de redes sociais) cumprem bem seus objetivos, que são os de entreter e captar fãs. É um aplicativo rápido, sem maiores necessidades de se refletir, e pode ser aberto e fechado a qualquer instante, o que, para esse público, é um bom atrativo, por exemplo.
O fenômeno é mais ou menos o mesmo que se deu com os jogos para celular, ótimas distrações para filas de banco e viagens de ônibus ou metrô. A razão de ser é idêntica: passar o tempo. E, se nesse caso, há a despesa para baixar os jogos para o telefone, isso não é problema para os aplicativos de redes sociais. Basta estar inscrito em uma delas e pronto. Inscrição essa que dura poucos minutos, e é gratuita.
Os números dizem por si. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE, divulgada em janeiro, mostrou que o brasileiro é o internauta que mais tempo permanece na internet (71 horas/mês), e as redes sociais são os pontos mais frequentados. Mais famoso no exterior, o Facebook tem cerca de 3,4 milhões de brasileiros cadastrados. O Orkut conta com 25 milhões. Usuários que, não necessariamente, são gamers, mas que, com o advento e o sucesso de aplicativos assim, são inseridos aos poucos no cotidiano dos jogos eletrônicos.
Trata-se de algo, aliás, que poderia e deveria ser atentado pela indústria brasileira, que tem nos jogos on-line e advergames um de seus principais apêndices, como forma, inclusive, para se trabalhar do ponto de vista comercial. Como já é feito no Bola Social Soccer, e veremos na próxima coluna.



