Folclórico? Campeão

Quem o observa atentamente durante uma luta de judô fica na expectativa iminente da quebra da cadeira que sustenta aqueles 160 quilos – pelo menos – em constante movimento, reclamando de tudo e de todos. Obeso mórbido, com rabinho de cavalo e cara de Tim Maia, é fácil designar a Ronaldo Veitia, técnico da seleção feminina de judô de Cuba o adjetivo folclórico.
Campeão seria mais justo. Ele conseguiu em seis olimpíadas – estreou em 1992 – 24 medalhas. Aúltima, de ouro, foi de Idalis Ortiz, acima de 78 quilos. Foi a volta de Cuba ao lugar mais alto do pódio, que não alcançava desde 2000. Ela foi a quarta de ouro no currículo de Veitia, que tem ainda dez de prata e dez de bronze. Só na categoria mais pesada foram seis – uma de ouro, outra de bronze e quatro de prata.
Membro do Partido Comunista Cubano, pai de três filhos, Veitia é uma referência mundial. Tem atitudes carinhosas com suas atletas e duras com os árbitros. E, com tantas conquistas, pode criticar – ainda que de leve – a atual direção do esporte cubano. “Essas garotas estão passando por uma odisséia aqui. Temos pouco dinheiro e participamos de poucos torneios, no máximo cinco por ano, enquanto as adversárias fazem mais de 20.
A falta de participação em torneios, além de impedir o desenvolvimento técnico das atletas, é responsável por rankings falsos. Estão sempre mal colocadas e isso as coloca em chaves difíceis. Yanet Bermoy, que foi medalha de prata, enfrentou uma campeã mundial na primeira luta. Venceu, mesmo estando em 14 no ranking. A rival era segunda.
Driulis Gonzáles (uma de ouro, uma de prata e duas de bronze) é a maior aluna de Veitia. Mas há outros nomes como Legna Verdecia, Estela Rodrigues, Daima Beltran, Yurisel Laborde (emigrou para os EUA), Anaisis Hernandez, Yurisleid Lupetey, Diadelis Luna, Amarílis Savón, Yelenis Castillo são outras judocas que estão na história do esporte cubano. Todas alunas do professor Veitia.
Folclórico?



