Entre mais um prêmio conquistado por Cristiano Ronaldo ou Messi, os nomes inalteráveis da seleção da FIFPro e as apresentações musicais intermináveis de sempre, dois condecorados no The Best merecem atenção especial. Não que sejam novatos nas cerimônias do tipo, longe disso. Mas porque, de diferentes formas, recebem o devido reconhecimento. Gianluigi Buffon por, enfim, ganhar um troféu de destaque individual após tantos anos excepcionais. E Zidane por aumentar o número de taças em sua estante, desta vez “unificando” de maneira inédita as honrarias dedicadas ao melhor jogador e ao melhor técnico. Sobretudo, referendando o início extraordinário no novo ofício.

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A criação de um prêmio ao melhor goleiro não é assunto unânime. Há quem concorde com o destaque à parte oferecido a uma posição singular. Por outro lado, há quem discorde da maneira como a nova condecoração afasta os arqueiros da chance de buscarem o troféu principal – como fez Lev Yashin com a Bola de Ouro em 1963. Buffon foi justamente um dos mais próximos de ser eleito o melhor do mundo, barrado apenas por Fabio Cannavaro na Bola de Ouro de 2006. De qualquer forma, o tempo urge para o veterano. E a não ser que viva uma temporada gloriosamente vitoriosa com a Juventus ou a seleção italiana em 2017/18, a aposentadoria viria sem a devida exaltação nestas cerimônias pomposas.

Desta maneira, se o prêmio de melhor goleiro surgiu com certo atraso, ele acaba agraciando aquele que mais vezes o teria conquistado ao longo das últimas duas décadas. O lugar de Buffon como o goleiro mais fantástico de sua época é praticamente unânime. Mesmo concorrendo com gigantes, conseguiu sempre se manter no topo. E nada mais justo que um de seus “concorrentes” na opinião pública entregasse o troféu. Peter Schmeichel foi o encarregado de, enfim, galardoar Gigi. E o discurso meio sem jeito do italiano, tentando seguir em frente com seu inglês sem tanta confiança, era uma cena que todos aguardavam. Depois de subir tantas vezes no pódio, havia chegado o momento de ver a lenda também em trajes de gala, no palco midiático da Fifa. O gênio abre alas para os aplausos que os seus herdeiros na posição merecem.

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Companheiro e adversário de Buffon tantas vezes, Zidane até se aproximou do italiano no discurso, ao pedir desculpas pelo inglês sofrido, antes de falar em espanhol e francês. A celebração do craque se repetiu muitas vezes enquanto Zizou ainda calçava chuteiras. Mas não com a prancheta em mão. Não no ofício ao qual ele se mostra tão dedicado a seguir vencendo. A se reinventar. A transmitir toda a sua maestria também à beira de campo e, assim, enfileirar taças com o Real Madrid. Como já fez em seus dois primeiros anos, num bicampeonato da Liga dos Campeões que não se via desde Arrigo Sacchi.

Que Zidane ainda tenha que se provar por mais tempo como técnico, não dá para negar os seus méritos. A sua capacidade de transformar um Real Madrid fortíssimo em campeão, o que nem sempre aconteceu nas últimas temporadas, mesmo com treinadores mais respaldados. Além do mais, Zizou é daqueles personagens que quem gosta de futebol torce para vencer sempre que possível. É daqueles gigantes que merecem ficar ainda maiores. O prêmio da Fifa vai para a sua prateleira, com menos destaque que as duas Champions ou o Espanhol da temporada passada. Mesmo assim, é uma reverência específica ao agora comandante.

Buffon e Zidane, afinal de contas, são mais do que dois grandes profissionais. São duas personalidades maiores ainda. E dois caras que, quem os acompanhou por tantos anos como torcedor, os carrega com carinho na memória. É legal demais ver este tipo de glorificação, por mais efêmeros que sejam esses prêmios de melhor do mundo. Gigi e Zizou, estes sim, são eternos.