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Fifagate: Interpol anula acordo com a Fifa em programa contra manipulação de resultados

O Fifagate explodiu há pouco mais de duas semanas, e, enquanto há muita coisa ainda a ser revelada, outros desdobramentos, não estritamente ligados à direção da Fifa, vão surgindo. Após o Vaticano suspender campanha que destinaria dinheiro às suas instituições de caridade a cada gol marcado na Copa América, foi a vez de a Interpol anunciar nesta sexta-feira que, diante do escândalo de corrupção, decidiu anular o acordo que tinha com a entidade pela investigação de manipulação de resultados no futebol mundial.

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A polícia internacional ainda pretende seguir os trabalhos para descobrir e punir qualquer pessoa envolvida em arranjos de resultados ou apostas ilegais, mas decidiu não utilizar mais o dinheiro doado pela Fifa para auxiliar a missão. Em maio de 2011, a entidade destinou € 20 milhões para o programa Integridade no Esporte, que deveria durar dez anos.

“À luz do contexto atual que cerca a Fifa, enquanto a Interpol ainda está comprometida em desenvolver nosso programa Integridade no Esporte, decidi suspender o acordo. Todas as partes externas, sejam elas públicas ou privadas, devem compartilhar dos valores e princípios fundamentais da organização, assim como da ampla comunidade de agentes da lei”, afirmou Jürgen Stock, secretário-geral da Interpol, em comunicado que reforçava também que o contrato com a Fifa tinha uma cláusula enfatizando a importância de que as atividades da parte que financiava o programa precisavam estar de acordo com os valores e objetivos da Interpol.

Após a divulgação do comunicado pela Interpol, a Fifa também se pronunciou em seu site oficial, lamentando a escolha da polícia internacional, ressaltando os resultados que haviam sido alcançados desde maio de 2011 com o programa e assegurando que já estava em contato com a instituição para buscar a retomada do acordo, deixando claro que a decisão foi mesmo unilateral.

“Como declarado pela Interpol, ‘o programa Integridade no Esporte contribuiu com os esforços internacionais em 190 países-membros, prevenindo a manipulação de eventos esportivos e as apostas ilegais por grupos criminosos. Suas atividades criminais correntes requerem uma resposta global’. Esse programa bem-sucedido não tem relação com os atuais problemas que cercam a Fifa, e acreditamos que essa decisão unilateral irá impactar negativamente sobre a luta contra atividades criminais, algo de que nenhum torcedor deste esporte deve estar a favor”, diz trecho do comunicado da Fifa.

O argumento de que não há necessariamente uma ligação entre o escândalo de corrupção e a parceria entre a Fifa e a polícia internacional tem fundamento, mas é compreensível que a Interpol queira desassociar sua imagem daquela da entidade que atualmente passa pelo maior escrutínio que já enfrentou. Seria um tanto quanto incoerente, mesmo que simbolicamente, por parte da Interpol executar a prisão de dirigentes ligados à instituição que controla o futebol mundial enquanto utiliza de seus recursos, mesmo que para uma finalidade completamente diferente.

No entanto, o compromisso de seguir trabalhando pela punição dos envolvidos em esquemas de manipulação deve ser cumprido. O principal foco de investigações em cima do futebol pode estar sobre o Fifagate, mas isso não significa que esse outro problema, que afeta diretamente partidas por todo o mundo, esteja em “modo de espera”.

LEIA NOSSA COBERTURA DO FIFAGATE.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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