Fifa cria “liga mundial” contra racismo, mas falta agir mais
A Fifa tomou uma iniciativa curiosa contra o racismo. A entidade criará um campeonato mundial contra o racismo, com uma tabela de classificação mostrando os países com menos e mais problemas com racismo no esporte. A ideia foi apresentada no fórum sobre racismo no futebol nas Nações Unidas. A ideia é criar um “barômetro” contra o racismo e fazer os países trabalharem contra isso para não ficarem em posições ruins na tabela.
“O barômetro irá mostrar àquela sociedade que a conduta das pessoas no esporte está levando o país para baixo”, disse Tokyo Sexwale, delegado da Fifa. O sul-africano, um ativista anti-apartheid é membro da força-tarefa contra o racismo e a discriminação. “Eu não acho que ninguém irá querer ficar lá embaixo no barômetro”, declarou ainda o dirigente. Segundo Sexwale, Nelson Mandela acredita que “o esporte é mais poderoso do que o governo em quebrar barreiras”.
Segundo o dirigente, a Fifa está monitorando os problemas com racismo de jogadores e torcedores no futebol mundial. É uma tentativa simbólica interessante, porque mostrará esses aspectos mais claramente e pode, claro, impulsionar que as ações das federações nacionais e governos contra o racismo se intensifiquem.
É ótimo, mas é pouco. A Fifa precisa tomar atitudes mais drásticas quando se trata de casos de racismo. Punições financeiras e, especialmente, esportivas, devem ser aplicadas para mostrar que a entidade se preocupa. Isso se reflete nas federações nacionais, como na Football Association, a federação inglesa, que deu dois pesos e duas medidas em casos de racismo de Luis Suárez (que tomou oito jogos de gancho) e John Terry (que só teve quatro). A Fifa pode criar um mecanismo de pressão nas federações e até deve fazer isso, mas precisa fazer também a lição de casa.



