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Fabiana e Júlia me traíram. E daí? Eu amo a Márcia

Minha dúvida até ontem a noite era ir de manhã no atletismo, ver a primeira aparição de Usain Bolt e de Fabiana Murer ou ir até o mercado de Portobelo, que fica na estação de Notting Hill. Talvez Julia Robert estivesse por lá.

A dúvida terminou ali pela meia noite, quando voltei do Centro Olímpico e encontrei o Fornelo ali perto de casa. No more fish and chips, no more kebabs, fora sanduíches. E nem me importa que um pão com manteiga e alho, um spaghetti a bolonhesa, um sorvete e uma coca custem R$ 80 .

A comida italiana é uma das maravilhas do Universo. Uma das grandes invenções do homem, assim como a roda, a penicilina e o sorvete Freddo. Não sei como podem não gostar dos argentinos, civilização capaz de criar alfajores e sorvetes Freddo.

Amigos, me fartei no pomodoro e resolvi: nada de Fabina. Nada de Bolt. Ficariam para depois. Nada de Portobelo. Eu iria dormir. Só isso.

Não consegui, não sei porque. Nove horas estava acordado. E tinha de optar. Fui atrás da Júlia Roberts. Enciumada, Fabiana resolveu não se classificar para a fase final do salto com vara. Essa precisa riscar Olimpíada do dicionário: um ano perdem suas varas. E agora, por causa do vento nem tenta a terceira chance de chegar à final.

Portobelo é legal. Parece a Benedito Calixtoem São Paulo. São lojinhas de quinquilharias, de roupa, e muita coisa vintage. Quase comprei uma Parker 51 por 140 reais. Desisti. Não consigo mais escrever com caneta. Minha letra é feia e na entendo o que foi anotado.

Comprei uma bola de futebol do tempo de Charles Muller. Uma réplica, é lógico. Preferi o tamanho menor, de 50 reais. Comprei sete cachecóis – sorry, mas eu tenho muitas mulheres, pelo menos foi o que disse à vendedora para conseguir um desconto e nada – mas o que mais gostei foi de uma limonada extremamente gelada que uma chinesa vendia. Dez paus, velho.

Caminhando pela rua, me senti feliz. Era um mundo de cores, gente de todo mundo pela rua, comida árabe me chamando – não fui – artistas de rua e, ao fundo, de repente, ela. Não, não era a Júlia. Era a Susie. Susie Q, cantada pelo Creedence.

Se der, eu volto lá. A limonada é demais.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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