Mundo

Esquiva, o primeiro falcão, está na final. Falta Yamaguchi

Filho de pai nigeriano e mãe inglesa, Anthony Ogogo foi o segundo derrotado por Esquiva Falcão, brasileiro do Espírito Santo, na decisão por uma vaga na final dos 75 quilos. A cada murro que levava, calavam-se muitas vozes que o alentavam. A torcida foi obrigada a abandonar seu ídolo e ver o Brasil chegar à uma final inédita no boxe olímpico. O melhor resultado, antes disso, foi o bronze de grande Servílio de Oliveira no México-68.

O primeiro assalto terminou empatado em 3 a 3. No segundo, Esquiva bateu muito em Ogogo. Mãos inglesas que batiam palmas agora eram levadas aos olhos e à boca, para não ver o massacre. Foram duas quedas e um escorregão. 6 a 3, mas um dos árbitros, um coreano de olhos bem abertos, viu 20 a 4. Pode ter exagerado, mas 6 a 3 foi pouco.

No terceiro, outra paliza, como dizem os espanhóis. 7 a 3 e Esquiva cumpriu a promessa feita ao pai, Touro Moreno, ex-lutador de telecatch. “Eu e meu irmão prometemos que íamos chegar na final e tentar ganhar o ouro. Eu já consegui e ele também vai conseguir”.

A final vai ser contra o japonês Murata, que venceu o uzbeque Atoev por 13 a 12, de virada. O adversário com que Esquiva sonhou. O motivo? Vingança. “No Mudial de 2011, ele bateu muito em mim”, diz com dura franqueza. “Ele ganhou por 22 a 12, mas agora eu estou muito bem preparado. Todo dia vejo um vídeo do japonês. E é bom ele saber que se o Esquiva de hoje encarar o Esquiva de 2011 iria atropelar. Estou muito melhor”.

Tudo uma questão de foco. “No Mundial, minha meta era conseguir vaga para a Olimpíada. Agora, é ser campeão olímpico. Isso muda bastante a preparação do atleta”.

Se Yamaguchi não chegar à final, se os irmãos Falcão não forem ouro, a dinastia ainda tem algo a oferecer. Outros dois irmãos, com nomes estranos. “Tem meu irmão mais novo, o Estiva Jr., que foi campeão brasileiro nos 42 quilos e que agora está com 60. Todo mundo fala que ele é melhor do que eu e o Yamaguchi juntos. E tem o Thomas Edson, que é pesado. Ele tem tudo para ser o nosso lutador acima de 91 quilos no Rio.”

Esquiva, em homenagem à habilidade de lutadores que fotem do golpe, Yamaguchi, em homenagem à um amigo assassinado, Estiva jr, em homenagem ao cubano Teófilo Stevenson e Thomas  Edson, porque é um nome bonito, estão sempre em contato com o pai, em Serra, no Espírito Santo.

Para falar com o velho, é necessário chamar o vizinho, pois telefone na casa de Toro Moreno não há e nunca houve. Talvez chegue juntamente com o sucesso dos filhos.

Os dois filhos de Touro Moreno. Nome de filme. Filme que pode ter continuação, com os que estão chegando. E que pode vira série, pois Touro Moreno desconversa e dá um sorriso quando lhe perguntam se é verdade que tem 18 filhos.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo