Mundo

Esperando Brasil x Argentina. Quem ganha o clássico?

Estou aqui, sentadinho na minha cadeira, esperando Brasil x Argentina. O que vocês acham desse jogo? Quem se classifica? Deixem sua opinião.

Falta muito para o início da partida, pouco mais de quatro horas, mas a ansiedade é muito gande. De manhã, resolvi passear um pouco, Comprei minha passagem de volta e fui até St James ver o Palácio de Buckingham.

Fui mais para cumprir um programa. Detesto monarquia e seus símbolos. Acho ridículo os jornais dizerem que Sir Chris Hoy, do ciclismo, superou Sir Steve Redgrave, do remo, como grande atleta olímpico britânico. Essas estações de metrô com nome de princesa, príncipe, rainha etc….

Nada disso me seduz. Mas cheguei até o Parque. Lindo, grande, calmo, pude sentar em um banco e calmamente comer meu wrap de homus com falafel. Depois, fui atrás do Palácio. Precisava pagar 60 paus. Recuei. A Rainha, escondidinha, atrás de uma cortina não vai me ver.

Optei por ver Toni Parker, que joga muito e ainda namorou a Eva Longoria. Cheguei antes e estou vendo Rússia x Lituânia. Em frente a mim, do outro lado do ginásio, russos e russas dançam YMCA com a mesma leveza de meu amigo Rubens Leme da Costa. Maldita globalização.

Mas, voltemos à Argentina. Outro dia, no meu hotel, à noite, chegou Martin Leiva, pivô reserva da seleção. Estava com a sua mulher, alugando um quarto par ela. Quando pedi uma entrevista ele quase chorou. Disse que eu não poderia nunca dizer que ele estava ali, à meia-noite. Respondi que não tenho nada a ver com a vida dele.

E ele falou. Disse que não gostaria de enfrentar o Brasil nas quartas porque seria muito bom ver dois sul-americanos na semi. Argentinos, bolivianos, cubanos sempre falam do continente americano. Outros países também. O Brasil, não. É a língua, eu acho.

Andrés Nocioni, o guerreiro argentino, conhecido por ser extremamamente duro na marcação (como o nosso Alex) disse hoje ao Olé que o Brasil melhorou muito, está mais calmo, é muito bom na defesa e que tem uma jogada mortal que é a conexão entre Huertas e “os grandões” (Splitter, Nenê e Varejão) Para ele, o jogo é 50% para cada lado, mas que ele se vê como vencedor.

Há muito tempo o jogo não é 50% para cada lado. No ano passado falei com Hélio Rubens e ele disse que, no tempo dele, quando havia jogo contra a Argentina, os jogadores brasileiros iam para a piscina. Não havia perigo de perder.

Depois, houve a geração dourada, esse espetacular time de Ginobili, Oberto, Nocioni, Pepe Sanchez e Scola. Oberto e Pepe não estão mais. Os jogadores estão mais velhos. Pouca gente acredita que estarão no Mundial de 2014 ou na Olimpíada de 2016.

É o último suspiro, mas como diz Rubén Magnano, o argentino que nos dirige, esse time tem fome de glórias. Tem caráter. E sonha com a terceira medalha seguida.

Nós temos um time como há muito não tínhamos. Os grandões, o armador e a raça de Alex. Há outros bons jogadores como Marquinhos e Giovannoni, mas sinto falta de um grande arremessador de três pontos.

Enfim, falta pouco. Vai ser um jogaço. Voltou a ser um clássico.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo