No baile espanhol, o Uruguai só correu atrás da bola
Seria mais um desses jogos bem legais entre seleções grandes, não fosse o Uruguai ter esquecido seu futebol por completo antes de entrar em campo na Arena Pernambuco. Com a mesma proposta de sempre, a Espanha entrou, dominou a bola e ficou o tempo inteiro com ela, um sequestro futebolístico. E não à toa, venceu por 2 a 1 na sua estreia nesta Copa das Confederações.
O Uruguai fez mesmo tudo errado. Saía errando passes no campo de defesa, logo onde a marcação espanhola aprendeu a apertar para roubar a bola. Rendida pela cirandinha espanhola, a celeste apanhou em quase todos os fundamentos. O mau posicionamento em campo privilegiou as ações ofensivas da Fúria, que fez a pelota rolar por todo o meio-campo até encontrar os espaços entre Godín e Lugano. Não que os dois tivessem dificultado essa tarefa.
E nisso, o tempo passava, a Espanha só aumentava o tempo com a bola, vendo o Uruguai correr feito bobo atrás dela. Toca daqui, toca de lá, aquela coisa bem típica, até que Pedro abriu o placar. Desnorteado, o time capitaneado por Lugano (autor do desvio que traiu Muslera) piorou consideravelmente quando passou a estar atrás do marcador.
Agora os rapazes de Tabárez tinham muito mais do que a bola e os adversários para perseguir. Forçando o Uruguai a correr e fechar os buracos na marcação, a Espanha também tinha outro ponto a seu favor: o talento. Foi com ele que Fàbregas deslocou dois marcadores e achou Soldado no meio da área, livre. Outros dois marcadores como Godín e Maxi Pereira, tiveram de dar piques para tentar impedir o atacante de chegar ao gol. Sem sucesso: finalização a sangue frio do jogador do Valencia.
O segundo tempo foi apenas questão protocolar. Muito embora a Espanha estivesse mais preocupada em segurar a bola do que propriamente agredir os uruguaios, algumas jogadas de efeito foram ensaiadas, como a condução interminável de Iniesta, com cola nos pés e prendendo a posse até que alguém viesse na base do chutão para afastar.
A posse de 77% foi outra estatística que reforçou o banho de bola dado pela Fúria. Os minutos finais foram tão exigentes ao estilo espanhol como um chá das cinco. E nem assim forçaram para ampliar a vantagem, que foi reduzida com uma legítima patada de Suárez, um sopro de criatividade no lado uruguaio. Caso os charruas queiram algo na competição, é bom que se mexam, aprendam a dançar ou mostrem a garra, tradicional de seu futebol. Já a Espanha, bem… foi a Espanha de sempre, acostumada a jogar com 50% da sua capacidade, o que já é muito.
Formações iniciais
Destaques do jogo
Iniesta e Xavi foram impecáveis. Xavi acertou 95% de seus passes e comandou de forma brilhante o meio-campo espanhol. A precisão, eficácia e sobretudo a paciência espanhola certamente fizeram a diferença nesta partida inaugural das duas seleções. Pobre do Uruguai, que apenas correu atrás dos adversários.
Momento-chave
Fàbregas estava cercado de marcadores. Quando parecia óbvio que ele seria desarmado, dando o contra-ataque para os uruguaios, arrumou um passe perfeito para Soldado, que não teve alternativa além de bater alto, fuzilando Muslera. O segundo gol da Espanha no jogo foi uma obra bem arquitetada pelo camisa 10.
Os gols
19/1T – GOL DA ESPANHA!
Pedro pega de primeira de fora da área, a bola desvia em Lugano e vence Muslera, que nem teve tempo para reagir.
32/1T – GOL DA ESPANHA!
Fàbregas chama a marcação e dá um passe precioso para Soldado dominar livre na área e bater no alto de Muslera.
42/2T – GOL DO URUGUAI!
Suárez bate uma falta com muita força e acerta o canto superior do gol de Casillas! Que golaço!
Curiosidade
Nas duas outras partidas oficiais que Espanha e Uruguai fizeram (Copas de 1950 e 90), empataram. 2×2 em 50, no Brasil e 0x0 em 90, na Itália. Hoje vimos o sinal dos tempos em que a Espanha é a equipe a ser batida.
Ficha técnica






