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Enfim, a Fifa toma uma medida elogiável contra o racismo

Demorou bastante até que a máxima organização do futebol tomasse uma atitude enérgica contra as manifestações racistas. Joseph Blatter desconversou sobre o assunto – quando não deu declarações mesquinhas – e a Fifa postergou punições mais duras a clubes envolvidos. Até que, enfim, a entidade decidiu se posicionar de forma mais clara no combate ao preconceito.

Nesta terça-feira, Kevin-Prince Boateng e Jozy Altidore foram nomeados como membros de sua força-tarefa antirracismo. Dois jogadores de fama internacional, que foram vítimas de preconceito recentemente. O meio-campista do Milan deixou o campo após ser insultado pela torcida adversária em um amistoso. Já o atacante do AZ permaneceu no gramado e respondeu com gols, mesmo com a partida sendo paralisada brevemente.

Além dos dois jogadores, o grupo contra o racismo também é encabeçado por: Jeffrey Webb, presidente da Concacaf; Theo van Seggelen, presidente da FIFPro; Marcel Mathier, presidente do Comitê de Ética da Fifa; Claudio Sulser, ex-presidente do Comitê de Ética da Fifa; David Bernstein, presidente da Football Association; Piara Powar, presidente da entidade europeia antirracismo, a FARE; e Howard Webb, árbitro inglês que apitou a final da Copa de 2010.

Um time de peso, com experiência suficiente para lidar com o tema de maneira precisa. E que promete punições desportivas, ao contrário do que geralmente acontece. “Nós percebemos que as multas dão poucos resultados, mas deduções de pontos e exclusão de competições podem agir de maneira mais efetiva”, declarou Blatter, o mesmo que se contrapôs a sanções mais duras a meses atrás.

O primeiro encontro da força-tarefa acontece no dia 6 de maio, visando apresentar suas primeiras propostas no Congresso da Fifa, marcado para o fim do mesmo mês, nas Ilhas Maurício. Dentro do processo de abertura da entidade ocorrido nos últimos tempos, a ação contra o racismo se faz muitíssimo necessária – e também é tomada com considerável atraso.

A expectativa é a de que o grupo de debates resulte em um combate mais efetivo do preconceito nos estádios. De certa forma, o bom ambiente nas arquibancadas deve refletir positivamente na sociedade. E o envolvimento de ícones como Boateng e Altidore tem grandes chances de atingir o público de maneira consistente. Desta vez, a bola dentro da Fifa merece ser elogiada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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