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Libertadores e Champions estão órfãs de Di María, o craque que parece sem ego

Aposentado da seleção, craque argentino está brilhando em seu retorno ao Rosário Central, sua equipe de coração

Últimas rodadas das eliminatórias sul-americanas na semana passada. Quartas de finais da Copa Libertadores nos próximos dias, junto com o início da fase inicial da Liga dos Campeões. E todos esses jogos sem a presença de Angel Di María. Que pena – e que perda para o espetáculo.

Mesmo com os seus 37 anos, a história de Di María nos campos não acabou. No domingo (14), a sua volta triunfal para o Rosario Central ficou mais triunfal ainda com o seu gol olímpico contra o Boca Juniors.

Ele era um jogador do Rosario Central quando o vi pela primeira vez, no Paraguai, defendendo a seleção da Argentina no sul-americano sub-20 – o torneio que revelou Cássio, Edinson Cavani, Arturo Vidal, Alexis Sánchez e outros craques.  Na época, não pensava que o Di María ia chegar a ser o melhor de todos. Parecia jogar em espasmos, um jogador por momentos e não por partidas. Mas isso era o Di María de 18 anos. Nunca parou de crescer, e acabou sendo um tipo de atleta talvez sem comparação na história do futebol.

Tem muitos craques. Mas um craque que parece sem ego – isso é muito mais difícil achar.

Di María nunca exigiu protagonismo em clubes

Angel Di María vem brilhando no seu retorno ao Rosario Central (Foto: Imago)

Mais tarde, naquele mesmo ano de 2007, o Di María já foi mais decisivo quando a Argentina ganhou a Copa do Mundo sub-20 no Canadá. No ano seguinte marcou o único gol quando a sua seleção venceu a Nigéria para conquistar o ouro olímpico.

Nesta altura, já defendia o Benfica, onde ganhou o título português. Logo foi campeão da Espanha com o Real Madrid, onde o auge foi a conquista da Liga dos Campeões em 2014, com uma vitória de 4 a 1 em cima do Atlético Madrid. Quem foi eleito o melhor em campo? Angel Di María.

O único lugar onde Di María não deu muito certo foi o Manchester United – que fala mais sobre os problemas do clube inglês do que dos defeitos do ponta argentino.

E depois, muito mais triunfos com o Paris Saint Germain – cinco campeonatos e um time que funcionava melhor que qualquer PSG antes da chegada de Luis Enrique. E isso porque, entre todas as estrelas, o Di María é uma estrela que nunca agiu como tal. O que o time precisa? Que ele recomponha no meio-campo e trabalhe por trás da linha da bola? Sem problema, ele fazia. O talento dele pode exigir um protagonismo. O time está construído ao redor das necessidades de Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi? Tranquilo. Ia em busca de seu lugar dentro da funcionalidade do coletivo.

E nos últimos anos, um período dourado na seleção. A Argentina principal estava sem um título desde 1993, quando o Di María tinha apenas seis anos. Aí ele ganha a Copa América de 2019, mais uma vez marcando o único gol do jogo. Foi também eleito craque do jogo na final da Copa América de 2024, quando a Argentina ganhou de novo. 

E no meio, claro, veio a Copa do Mundo no Catar. A final contra a França acabou sendo incrivelmente tensa, com a Argentina precisando de pênaltis para vencer.  Mas enquanto o Di María estava no campo, não era nada tenso. Era um baile, com o Di María – de uma maneira surpreendente utilizado no lado esquerdo contra o Kounde – desequilibrando a partida. A França só voltou ao jogo depois que Di María foi substituído.

Não vai estar na Copa do ano que vem – embora o técnico Lionel Scaloni deveria estar sonhando com o Di María repensando a sua opção de aposentar da seleção.  Mas está brilhando com a camisa da sua infância, o Rosario Central, com quatro gols em sete – invictos – jogos.

Virei torcedor do Central. Quero o clube na Libertadores no ano que vem, e vou torcer para o sorteio trazer o clube para o Rio de Janeiro. Vi Di María em 2007. Quero ver de novo em 2026.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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