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De cantor a enólogo, quais carreiras Blatter pode retomar agora que ficou desempregado?

Em poucos meses, Joseph Blatter estará desempregado. Após dedicar mais de 40 anos integralmente à Fifa, 17 deles somente na presidência, o prestimoso dirigente entregará o cargo. Vai ser difícil viver sem uma aposentadoria digna, aos 79 anos, dependendo da economia de seu salário (e das supostas propinas) ao longo das últimas 40 décadas. Mas Blatter é um cara talentoso. E, antes de trabalhar para a marca de relógios Longines, emprego que o alçou à organização de duas Olimpíadas e depois à Fifa, Sepp demonstrou uma faceta múltipla para o trabalho duro.

Por isso mesmo, nem tudo está perdido para Blatter. Para quem já foi cantor de casamento, militar e até jogador de várzea, abandonar a presidência da Fifa não é o fim da linha. Por isso mesmo, sugerimos oito ofícios para o suíço não viver na miséria, nos baseando no que ele já fez ao longo da vida. Ah, e um aviso útil: cuidado com as cintas-ligas. Você vai entender mais à frente.

Cantor de casamento

Quando era apenas um jovem sonhador no interior da Suíça, Blatter se inspirava no francês Eddie Constantine, ator em musicais de Hollywood. Mas o mais próximo que tinha ao alcance da carreira artística eram os palcos das festas de casamento. Pois assim que o cartola ganhava a vida no final dos anos 1950: aproveitando o seu timbre para embalar casórios. Segundo Guido Tognoni, ex-assessor do suíço, “Blatter ama os microfones, o palco, é um grande ator. Ele ama estar no centro das atenções, ter um público. Pouco importa se falam bem ou mal dele, a grande punição é não falarem nada”.

Ativista em defesa das cintas-ligas

Essa é a história mais surreal sobre Blatter. Em 1971, ele assumiu o seu primeiro cargo internacional: presidente da Associação Internacional dos Amantes das Cintas-Ligas, que defendia o uso da peça feminina. Uma organização um tanto machista e tarada, composta por outros 119 membros de 16 países. Sem os mesmos afazeres dos tempos da Fifa, talvez o cartola recupere as velhas paixões.

Enólogo

Quando tinha 15 anos, Blatter trabalhou na adega do hotel na região alpina da Suíça. O garoto, porém, era o responsável por organizar os estoques de vinho. Um trabalho braçal, para o qual não mostrava muita aptidão e largou rapidamente, para assumir o posto de recepcionista. Bem mais experiente, o cartola pode voltar à adega se quiser. E sem precisar se esforçar tanto. Afinal, após tantos anos tendo a vida de um lorde graças à Fifa, seu paladar se aguçou bastante experimentando os melhores vinhos do mundo.

Guia turístico

Após se especializar em relações públicas na universidade, Blatter trabalhou na secretaria de turismo de Valais, região ao sul da Suíça. Se quiser retomar o trabalho, a bagagem atual do dirigente é inegável. Até porque conheceu muitas partes do mundo às custas da Fifa. E certamente fez muitos “amigos” em vários cantos.

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Militar

Acredite: muito antes de ser um bon vivant na presidência da Fifa, Blatter se alistou no exército suíço. Mais do que isso, teve até mesmo a patente de coronel, aos 30 anos. A ponto de comandar uma unidade, que, a despeito da tradicional neutralidade do país, precisou atuar durante a Guerra Fria. Não necessariamente no front, mas protegendo estradas nos Alpes de ameaças soviéticas. Ao menos, é o que o dirigente conta em sua biografia autorizada. Quem sabe o veterano não recupere o seu posto como oficial da reserva e até volte ao poder: vire um dos membros da guarda suíça que protege o Vaticano.

Dirigente do hóquei sobre o gelo

A carreira de Blatter como cartola não começou no futebol. Antes disso, o presidente da Fifa trabalhou como secretário geral da Federação de Hóquei sobre o Gelo da Suíça ao longo de dois anos – um esporte consideravelmente popular no país. O problema é que, na modalidade, dificilmente Blatter conseguiria fazer lobby entre os países da América Central, da África e da Ásia, como se beneficiou tanto nos tempos da Fifa.

Jornalista esportivo

Jota Hawilla não está só. Blatter trabalhou em pequenos jornais locais da Suíça durante a sua juventude, enquanto se formava em administração e economia. Inclusive, o cartola faz parte desde os 20 anos da associação suíça de cronistas esportivos. Depois de largar a Fifa, poderia pedir uns conselhos a Andrew Jennings de como ajudar na cobertura dos escândalos da Fifa, os quais ele tanto tem combatido – só que não.

Atacante

Blatter sempre se gabou de ter batido a sua bolinha durante a juventude. Segundo o site da Fifa, o cartola atuou no futebol amador de seu país natal entre 1948 e 1971, dos 12 aos 35 anos, passando a maior parte do tempo no FC Visp, de sua cidade. “Eu marquei muitos gols. Não é falsa modéstia, é realmente verdade, especialmente na base”, afirmou em entrevista à CNN, em 2006. Já que é assim, o velho “craque” poderia mostrar tudo que sabe em algum time de masters. Ou então virando técnico. Aliás, seria ótimo xingá-lo à beira do campo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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