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Cuba: fuga de atletas mina seleção nacional

Os cubanos têm pouca história internacional para contar. A única participação em Copas do Mundo, fato por si só curioso, ocorreu na terceira edição, em 1938, quando a equipe caribenha superou a Romênia na 1ª Fase, na prorrogação, mas caiu nas quartas de final, levando de 8 a 0 da Suécia.

Desde então, a seleção nacional falhou nas eliminatórias, inclusive no qualificatório para 2014, em que foi eliminada na 3ª Fase – para a qual estava pré-classificada, por causa do obscuro Ranking da Fifa –, com apenas um ponto. Além dos mundiais, a história internacional de Cuba se faz presente na Copa Ouro, cujo retrospecto é igualmente ínfimo: cinco participações, todas findadas na fase de grupos, sem nenhuma vitória e apenas dois empates em 13 partidas – nove gols anotados, mas 54 sofridos.

A próxima edição do torneio regional da Concacaf contará novamente com os cubanos, que superaram todos os prognósticos e chegam ao torneio como campeões da Copa do Caribe 2012. Um feito inédito para o país, que havia sido vice-campeão em três oportunidades: 1996, perdendo para Trinidad & Tobago; 1999, para o mesmo adversário (Cuba venceu o sub-20 do Brasil na oportunidade); e 2005, num quadrangular final vencido pela Jamaica.

O gol do título contra Trinidad & Tobago aconteceu apenas aos sete minutos do segundo tempo da prorrogação, marcado pelo meia Marcel Hernández, 23 anos, que esteve nos três jogos da Copa Ouro 2011. É evidente que os 750 torcedores presentes na final, realizada em Antígua & Barbuda, viram algo extraordinário, pois este é o primeiro título oficial de Cuba. Entretanto, se não fossem os constantes pedidos de exílio por parte dos jogadores da seleção, talvez o país tivesse algo mais de que se vangloriar.

Fuga geral

É considerado normal o pedido de asilo político por cubanos de várias modalidades em competições internacionais, o que se observa também no futebol. Em plena eliminatórias de 2014, em 12 de outubro de 2012, pela penúltima rodada do Grupo C, ocorreu o fato mais recente. Na viagem para o jogo contra o Canadá, na casa do adversário, a delegação cubana passava pelos Estados Unidos, quando quatro atletas resolveram ficar por lá.

Os meias Reysander Fernández, 28 anos, e Maikel Chang, 21, além do atacante Evier Cordovez, 23, e também o goleiro titular na maioria dos jogos, Odisnel Cooper, de 20 anos, abandonaram o país em busca do sonho americano. Assim, o técnico local Alexander González não contou com nenhum atleta no banco de reservas, perdendo de 3 a 0 – até o psicólogo do time, Ignacio Abreu Sánchez, cansou de levantar a moral dos cubanos e ficou nos Estados Unidos.

Mesmo durante a Copa Ouro já aconteceram episódios de mesma natureza. Em 2005, o atacante Maykel Galindo e outros dois colegas de time pediram asilo aos Estados Unidos, sede do torneio – Aos 31 anos, Galindo ainda joga no país, pelo Los Angeles Blues, da USL Professional Division, a terceira liga mais importante do país, atrás da MLS (MAjor League Soccer) e da NASL (North American Soccer League). Na última edição, em 2011, o atacante Yosniel Mesa, 28 anos, também abandonou a delegação.

Êxito

Dos cubanos desertores, apenas um vem conseguindo destaque internacional. Revelado pelo Piñar del Rio (Cuba), o meia Osvaldo Alonso, hoje com 27 anos, defendeu a seleção nacional até 2007, quando abandonou o time, durante a Copa Ouro 2007. Alonso conseguiu espaço no Charleston Battery, da USL Pro, e se destacou.

Contratado em 2009 pelo Seattle Sounders, da Major League Soccer, Osvaldo Alonso terminou a temporada 2012 com 34 jogos disputados como titular, ou 3.048 minutos em campo – em três anos, o atleta acumula 151 partidas, com dez gols anotados. O Seattle Sounders perdeu a final da Conferência Oeste para o Los Angeles Galaxy, de David Beckham, que foi o campeão.

Porém, o atleta, avaliado em € 800 mil, ainda tem mais a comemorar. Em 19 de junho de 2012, Osvaldo Alonso se tornou cidadão estadunidense e poderá defender a seleção dos Estados Unidos, mesmo tendo jogado por Cuba, por um simples motivo: como ele desertou de Cuba e teve suspensa sua nacionalidade, tornou-se elegível por outra seleção, o que é permitido pelas regras da Fifa.

Não há como prever qual seria o futuro de Cuba, caso os jogadores desertados estivessem vestindo a camisa da seleção atualmente. Mas parece evidente afirmar que os resultados do país no futebol internacional seriam mais contundentes. Uma pena, mas é salutar esperar mais deserções na Copa Ouro 2013, nos Estados Unidos.

Curtas

– Campeã da Copa do Caribe, a federação cubana embolsou US$ 120 mil, enquanto Trinidad & Tobago ficou com US$ 85 mil. O Haiti, terceiro colocado, ganhou US$ 70 mil, ao passo que Martinica, não filiada à Fifa, mas à Concacaf, levou para casa apenas US$ 50 mil. Pelo menos Martinica comemora a artilharia do atacante Kévin Parsemain, 24, do Rivière Pilote, do próprio país. Ele fez 13 gols (incluindo as eliminatórias), graças à humilhação de 16 a 0 sobre Ilhas Virgens Britânicas, ainda no qualificatório, em que marcou seis.

– Sete seleções já estão confirmadas na Copa Ouro 2013. Além das quatro primeiras colocadas na Copa do Caribe 2012, Estados Unidos, México e Canadá aguardam os adversários da América Central, que definem os cinco – dos sete participantes – últimos classificados até 27 de janeiro. Logicamente, devem ficar de fora Belize e Nicarágua, os mais fracos da região.

– Em 17 partidas em 2012, Cuba venceu apenas cinco, empatou duas e perdeu 12 jogos. A equipe marcou 12 vezes e sofreu 19 gols. A maior goleada a favor foi diante de Suriname (5 a 0), nas eliminatórias para a Copa do Caribe.

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