A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) informou nesta terça-feira (13) que Cristiano Ronaldo testou positivo para a Covid-19. O jogador está em isolamento e não apresentou nenhum sintoma. De qualquer forma, precisará cumprir um período de quarentena e deverá perder jogos da Juventus ao longo dos próximos dias.

jogou com a França no domingo (11), e, logo, surgiu a preocupação na concentração francesa de que um de seus atletas estivesse também infectado. No entanto, todos os Bleus estão liberados depois de terem realizado testes na segunda-feira (12), sem positivos.

Como resultado de seu período de isolamento, Cristiano Ronaldo está de fora do duelo contra a Suécia, nesta quarta-feira (14), pela Liga das Nações, e deverá perder o jogo com o Crotone, pela Serie A, em 17 de outubro, assim como a primeira partida da Juve na Champions League nesta temporada, contra o , em 20 de outubro.

O caso do craque da Juventus é o de maior importância, mas está longe de ser o único desta data Fifa. Vários outros testaram positivo em meio à pausa para jogos de seleções, entre eles Naby Keïta e Amadou Diawara, da Guiné, Milan Skriniar, da Eslováquia, Léo Dubois, da França, Manuel Akanji, da Suíça, Stuart Armstrong, da Escócia, e e José Fonte, de Portugal. Isso para ficar em apenas alguns nomes.

Em um outro caso absurdo, a Ucrânia teve seus três , Andriy Pyatov, e Yuriy Pankiv, infectados e recorreu à convocação do já aposentado Oleksandr Shovkovskiy, de 45 anos, para completar o elenco ao lado do arqueiro Heorhiy Bushchan. Ao todo, a seleção ucraniana teve 14 desfalques, combinando lesões e infecções, no com a França, que terminou em derrota por 7 a 1.

Diante deste cenário, e da preocupação que já era evidente mesmo antes desta data Fifa, o questionamento é inevitável: deveríamos ter jogos de seleções em meio a uma ?

Por mais que de futebol estejam entre os grupos de profissionais melhor isolados, com uma série de protocolos e testes constantes, já está claro a essa altura que sua bolha não é impenetrável.

A realização de partidas de clubes, em si, tem protocolos em sua maioria rígidos e com ao menos um panorama mais definido, com os jogos restringidos a um só país ou, no caso de competições como a Champions League, dentro de um ambiente extremamente controlado, como o que vimos no Final 8 do torneio na temporada passada, realizado em Lisboa.

Já com a data Fifa, jogadores de todo o mundo se reúnem em suas respectivas seleções, com viagens entre continentes, expostos aos perigos de trajetos que passam por incontáveis aeroportos. Basta pipocar um caso para que todo o grupo esteja sob risco. Na melhor das hipóteses, um clube acaba perdendo por algumas partidas um ativo importante para seus planos particulares. No pior deles, alguém infectado e com um falso negativo leva a doença de volta para sua equipe, colocando em risco o andamento de campeonatos locais.

Ao jornal inglês Independent, uma fonte da alta cúpula do futebol que não teve seu nome revelado afirmou que, “para proteger o futebol, o futebol de seleções precisa ser suspenso indefinidamente”.

Pautados pelo bom senso, talvez tivéssemos nós, imprensa, federações, clubes e torcedores, um consenso de que não estamos em um momento em que cabem datas Fifa. O que manda, no entanto, são obrigações comerciais e o cumprimento de calendários, com a Uefa até mesmo desenhando uma programação mais apertada, com três jogos em vez de dois na data Fifa atual e na próxima, em novembro.

A situação sem precedentes que vivemos ainda nos está passando lições, e parece que, por ora, não há respostas para conciliar todas as necessidades envolvidas. O que fica cada vez mais nítido, no entanto, é que esse fluxo enorme de jogadores de diferentes clubes e nacionalidades não é o melhor curso de ação para o momento.