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Comentarista real e virtual

Como se sabe, pela primeira vez, a série Pro Evolution Soccer está “abrasileirada”. Em PES 2011, o grito de gol está na voz de Sílvio Luiz, enquanto a análise da partida é por conta do Mauro Beting. Já há um tempo o colunista planejava trocar uma idéia com o jornalista da Rádio Bandeirantes e do Bandsports para que ele pudesse falar sobre sua participação no game. E após uma breve conversa em um encontro no último final de semana em São Paulo, Mauro topou conversar com a coluna.

Durante o papo, Mauro lembrou do convite para a participação (foi escolhido em votação popular feita durante campeonatos do game realizados aqui no Brasil), contou detalhes da produção e comentou ainda peculiaridades do “pós-jogo”, revelando, curiosamente, não concordar com a maioria dos próprios comentários. Sim, a coluna começou na edição passada a recordar jogos que levam nome de craques, e o tema certamente não cairá no esquecimento. Mas a pausa é por um bom motivo.

Confiram, abaixo, o papo da coluna com Mauro Beting.

Mauro, como veio o convite para participar da produção do PES 2011?

Foi assim, em abril deste ano me ligaram da Irlanda. Foi o João Marcos, brasileiro, que trabalha com o pessoal da Konami. E ele me disse que a Konami tinha feito uma pesquisa em eventos aqui no Brasil para saber quem eram o narrador e o comentarista que mais gostariam de ver no PES, e nisso eu e o Sílvio (Luiz) fomos os que a galera mais votou. E foi bem legal que o Sílvio também tenha entrado, até porque a gente já tinha o entrosamento de ter trabalhado junto na Bandeirantes, então não tinha como não ser legal. Aí ele perguntou: “Topa participar?”. Topei na hora!

Não foi a primeira vez que recebeu convite para trabalhar em um game, não é?

É. Quase tive uma experiência em 2004, para quando o pessoal do FIFA me convidou para comentar para a versão 2005. Na época eu pensei mais, não sabia muito bem, e chutei umas condições meio altas… Acabou que não acertamos, e toda vez que via o jogo dava um baita arrependimento, porque é algo muito legal. Até por isso, dessa vez, nem chutei nada quando veio o convite da Konami, aguardei o que eles iam oferecer e topei. E valeu a pena!

E como foram as gravações?

Então, acertamos as gravações para maio deste ano. Em principio elas seriam no Rio de Janeiro, mas nós dois tentamos trazer para São Paulo, e deu certo. Para minha sorte, foi até perto de casa. Era para gravarmos um total de 40 horas, mas deu pra fazer em menos. Acho que o máximo que gravamos num dia foram quatro horas, e se não me engano, só precisamos de umas oito sessões. Não dava para fazer de forma seguida, até porque a agenda estava apertada. Para você ter uma idéia, a última das sessões foi algumas semanas antes de ir pra África do Sul. E acabou que não conseguia gravar diretamente com o Sílvio. Ele gravava em geral pela manhã e eu à tarde. Uma pena, porque seria divertidíssimo encontrar o Silvio e fazer o texto junto com ele.

Como se deu o processo? Até quanto vocês conseguiam colocar traços de vocês no trabalho?

A mecânica era basicamente a seguinte: o texto que líamos era basicamente o que vinha do Japão. Ele era traduzido na Inglaterra e distribuído para os demais países, traduzido para as respectivas línguas. E o texto só chegava na nossa mão na hora da gravação, para você ver como era um negócio bastante sigiloso. Depois que era gravado, o áudio era picotado, dividido para aparecer no jogo. Claro que a tentava dar o nosso tom, mas sempre dentro de um padrão mais básico, aquele que vinha do Japão. E é um negócio meio maluco, porque você não vê o jogo quando comenta! Outra coisa é que eu tenho um modo mais sarcástico de comentar jogos internacionais, e não dava para fazer isso no PES, porque você acaba tendo que dar uma “respeitada” maior (risos). Tentava sim brincar com algumas coisas, mas a maioria dos textos já estava meio que programado.

Quais foram os desafios?

A gente não tinha ouvido nenhuma narração, e como eu disse, nem havia a imagem do jogo. Quando começamos a gravar, nem sabíamos que o jogo teria a Libertadores. Então era um vôo cego, era comentar um jogo que você não viu. E tinham alguns comentários que você vê que seriam legais, mais se segura porque aquele comentário pode não caber para determinado jogo, e pode acabar parando lá. O Sílvio, por ser o narrador, pôde ir um pouco mais além, mas no meu caso, era para se ficar mais atento. É preciso até mesmo dar uma explicada na jogada. Mas eu já imaginava que teriam algumas limitações assim, porque já tinha visto outros jogos e conversado com quem já tinha feito.

E com o jogo pronto, o que você observou de curioso?

Olha, cheguei até a receber a ligação de um amigo dizendo: “Pô, Mauro, como você me pede para tirar o Messi com menos de cinco minutos?” (risos). Dificilmente eu falo, nas transmissões, para se tirar algum jogador de campo, até porque corre o risco de este cara ir lá, marcar o gol da vitória e me derrubar (risos)! Mas no game, era algo que fazia parte de um roteiro básico. E é engraçado porque eu vejo meus filhos jogando e discordo de quase tudo que falei no game!

(risos) Discorda? Por exemplo?

Eu sempre morri de vergonha de me ler ou me ouvir, mas no jogo é divertido. Tem também um comentário que eu faço, dizendo que o tal jogador “tem DNA de craque”, e vendo o jogo já saíram jogadores horrorosos tocando na bola e eu comentando que ele tinha DNA de craque (risos)!. Às vezes, quando falo alguma bobagem na transmissão do rádio ou na TV, o pessoal me cobra. E no game, amigos já me falaram que me xingam no jogo pelo comentário (risos)! E é legal isso, um barato!

Você comentou que vê seus filhos jogando… Como eles receberam esse convite?

Pois é, eles ficaram bem felizes. A gente já brincava disso, eles pediam para eu narrar e comentar eles jogando em casa. Claro que no game é outra coisa, mas eles gostaram bastante.

E o que achou de ver uma Copa Libertadores em versão videogame?

Cara, a gente já se arrepia com hino da Liga dos Campeões e vê que o cenário no game é absurdamente bem feito e reproduzido. E quando vi a Libertadores, com o Ronaldo duzentos quilos mais magro, o Kleber do Internacional e, outros jogadores… Cara, dá até medo (risos)! Não tem coisa igual, é algo que te surpreende. Já penso até no que virá na versão 2012.

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Equipe Trivela

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