Recusa de Bruno Fernandes ao Al-Hilal expõe barreira que futebol árabe ainda não superou
Oferta faria meia receber o triplo do salário que tem no Manchester United, mas jogador priorizou o 'alto nível'
O meio-campista Bruno Fernandes esteve no topo da lista de contratações do Al-Hilal para a próxima temporada e “considerou seriamente” a transferência, conforme apurou o inglês “The Athletic”.
A proposta saudita para o português de 30 anos era de 25 milhões de euros anuais (R$ 160,8 milhões) — o triplo do que ele recebe no Manchester United — e quatro temporadas de contrato. O clube também pagaria aos Red Devils 80 milhões de libras (R$ 611,3 milhões). Contudo, o jogador decidiu permanecer em Old Trafford.
Bruno Fernandes justifica negativa ao Al-Hilal e reforça barreira da Liga Saudita
Bruno Fernandes abordou o assunto em entrevista coletiva pela seleção de Portugal e enfatizou estar “feliz” com o desfecho. Ao justificar a decisão, o meia falou em priorizar as ambições profissionais.
— Seria uma transferência tranquila. Ruben Neves e João Cancelo estão lá, duas pessoas que tenho grande amizade, mas eu quero ficar em alto nível, jogar grandes competições, porque ainda me sinto capaz disso. Quero continuar sendo feliz. Ainda sou muito apaixonado por esse esporte e estou feliz com minha decisão — disse.

O Manchester United celebra a escolha, visto que Ruben Amorim afirmou publicamente o desejo de mantê-lo no clube. Entretanto, a resposta do camisa 8 reflete uma barreira que o futebol árabe ainda não conseguiu superar.
Desde 2023, a Liga Saudita investe pesado em reforços estrelados do futebol mundial na busca por mais visibilidade e reconhecimento como um dos principais mercados do esporte, especialmente com o país escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2034.
Cristiano Ronaldo foi um dos craques a seguir esse caminho quando acertou com o Al-Nassr há pouco mais de dois anos. N’Golo Kanté e Karim Benzema, ambos do Al-Ittihad, fizeram a mesma rota poucos meses depois, assim como Neymar, que rumou ao Al-Hilal na ocasião.
Outras estrelas que estão no futebol árabe são Sadio Mané e Aymeric Laporte (Al-Nassr), Aleksandar Mitrovic (Al-Hilal), Pierre-Emerick Aubameyang (Al-Qadsiah), Riyad Mahrez (Al-Ahli) e os brasileiros Bento (Al-Nassr), Roberto Firmino (Al-Ahli), Fabinho (Al-Ittihad), Malcom e Renan Lodi (Al-Hilal).
Apesar disso, a Arábia Saudita continua na luta para conquistar mais prestígio no cenário global. Laporte já confidenciou ao espanhol “As” que havia jogadores “insatisfeitos” no país e comparou a realidade com o panorama na Europa. “Eles não facilitam as coisas para nós. Cuidam da gente, mas não o suficiente para o meu gosto. Na Europa, pagam bom salário e cuidam melhor de você”, declarou o ex-City.
Mané foi além e analisou as diferenças no tratamento midiático ao ser questionado por jornalista se recebia menos holofotes na Arábia.
— É o que vocês pensam porque eu não estou na Europa. É triste porque, para vocês, se não jogar na Europa, não importa.

A exemplo do ocorrido na proposta a Bruno Fernandes, o valor oferecido por sauditas aos astros é um dos principais atrativos, porém, alguns atletas voltam o olhar à questão do esporte.
Jordan Henderson, ex-Liverpool, assinou com o Al-Ettifaq por duas temporadas em 2023, mas cumpriu apenas seis meses do contrato e retornou à Europa para defender o Ajax, da Holanda. “Decisão futebolística”, explicou ele na época.
Outro caso é o de Gabri Veiga. O jovem foi apontado como uma das principais promessas da Espanha quando lançado ao futebol profissional pelo Celta de Vigo no ciclo 2022/23 e estava prestes a acertar transferência ao Napoli na ocasião, mas surpreendeu e decidiu ir ao Al-Ahli.
Passados dois anos, o meia-atacante abriu mão de 90% do salário para voltar ao Velho Continente e vestir a camisa do Porto.



