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Brasil insistiu (e errou) demais no cruzamento para a área

O Brasil venceu o Uruguai com certo sufoco no Mineirão, por 2 a 1. Isso você já sabe. O que talvez não deve ter ficado atento foi o número de cruzamentos dado neste jogo da semifinal. A média que não era alarmante nos outros jogos do torneio bateu lá em cima contra os uruguaios.

Fizemos um comparativo com as outras três partidas do Brasil na Copa das Confederações e a diferença foi enorme. Só nesta semifinal, foram 36 cruzamentos, sendo 11 de Neymar. O único cruzamento certo de Neymar em toda a partida foi justamente o que resultou no gol de cabeça de Paulinho. Marcelo, por sua vez, cruzou 7 e acertou dois. A estatística foi bem acima dos 20 cruzamentos contra o Japão, os 13 contra o México e 15 contra a Itália. No duelo diante dos mexicanos, pasme: nenhum desses passes cruzados deu certo.

Hoje foi visível a dificuldade do Brasil para entrar na área do Uruguai carregando a bola. Sem espaços e com a marcação apertada, os jogadores foram forçados a apostar nas bolas longas ou em inversões para dentro da área. Outra prova dessa solução emergencial foi o lance do primeiro gol, onde Paulinho chutou para Neymar, que dominou e jogou no meio da área para Fred completar.

Foi difícil, mas o Brasil dominou durante grande parte do jogo

Na hora do aperto, o Brasil também foi mais ao ataque. Foram 19 arremates, sendo quatro bloqueados pela defesa celeste. Oito desses chutes foram na direção do gol de Muslera, que foi seguro debaixo das traves.

Essa presença constante no ataque forçou a marcação uruguaia a parar as jogadas com falta. Foram 24 infrações por parte da defesa do Uruguai, contra 14 do Brasil.

O que vem por aí?

O Brasil precisa estar na ponta dos cascos para enfrentar quem vier do duelo entre Itália x Espanha. Naturalmente os espanhóis estarão na final e o seu estilo de jogo já é conhecido por todos. Se esse confronto realmente acontecer, é essencial que os brasileiros encontrem uma forma eficiente de levar perigo à defesa espanhola e não só se contentar em correr atrás da bola.

Sobretudo se o aproveitamento da posse do Brasil for o mesmo dos últimos jogos, o desperdício poderá ser a palavra-chave na decisão. Não haverá espaço para mais erros na defesa ou na armação. Chegou a hora da verdade.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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