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Brasil é 18º do ranking da Fifa, mas isso realmente importa?

O Brasil terminou 2012 como o 18ª no ranking de seleções da Fifa, divulgado nesta quarta-feira. É a pior posição da seleção brasileira desde que o ranking foi inventado pela entidade máxima do futebol em 1993. E mostra muito pouco sobre o que são as seleções ou qual é a relação de forças dos times no ranking. Na verdade, a 18ª posição importa pouco.

A queda de cinco posições no ranking mostra apenas que alguns dos resultados contados são supervalorizados, enquanto outros jogos são subvalorizados. É importante dizer que times que não disputam as eliminatórias para a Copa do Mundo, como a seleção brasileira neste ciclo, tendem a cair no ranking. Primeiro, porque os jogos oficiais contam mais pontos. Segundo, porque o adversário também conta na hora de somar os pontos e quem está fora das eliminatórias muitas vezes encontra adversários apenas de nível médio ou baixo, o que não ajuda.

Vejamos os últimos jogos do Brasil: Brasil 1×1 Colômbia, no dia 14 de novembro, e Argentina 2×1 Brasil, pelo Superclássico das Américas. O primeiro foi um amistoso e, portanto, soma poucos pontos. O segundo jogo, mesmo sendo um catadão de jogadores dos dois lados, é considerada uma competição oficial. E o Brasil perdeu. Logo, em um jogo que vale mais pontos contra um adversário bem colocado no ranking – atualmente os argentinos são terceiros -, o resultado tem um peso maior no ranking do que tem de fato.

Nada disso é justificativa. O Brasil vem buscando melhorar e, à parte as críticas ao trabalho de Mano Menezes, que não foi bom, a seleção atualmente começou a ter o desenho de um time. E com os resultados de competições oficiais sendo raros e ruins – a Copa América de 2011 viu o Brasil cair nas quartas de final -, o que se vê é um ranking com uma posição fraca, mas muito pior do que deveria, o que, porém, não torna essa posição no ranking realista em termos de campo. O 18º lugar é absolutamente desimportante. Vejamos quem está na frente.

Parece ser indiscutível que Espanha, Alemanha e Argentina estejam entre os primeiros colocados do ranking. A Itália foi vice-campeã europeia e faz uma campanha respeitável nas eliminatórias, o que também torna o quarto lugar natural. Colômbia, Inglaterra e Portugal não são times melhores que o Brasil, mas vá lá que sejam considerados em um momento melhor, ainda que isso seja (bem) discutível.

A Holanda já não é a vice-campeã de 2010 e sofreu uma eliminação lamentável na Euro 2012, mas ainda é um time perigoso. É a oitava colocada. Mais que o Brasil? Talvez não, mas ainda é discutível. Daí em diante, temos um quadro que só mesmo um ranking da Fifa poderia proporcionar. Rússia (9º), Croácia (10º), Grécia (11º), Suíça (12º), Equador (13º), Costa do Marfim (14º), México (15º), Uruguai (16º) e França (17º) estão todos à frente do Brasil, mas não há motivo muito claro para isso, a não ser, claro as campanhas nas eliminatórias. Sim, é isso que faz diferença. Mais do que deveria, como se vê.

Quanto o Brasil foi líder entre 1994 e 2001, de forma ininterrupta, a posição também importava pouco. Serve apenas para destacar a vaidade, mas o time nem sempre foi o melhor nesse período, embora sempre tenha estado entre os melhores, sem dúvida. Se quando o time estava em primeiro, o ranking não deveria ser supervalorizado, vale o mesmo agora, quando o time está em 18º, uma posição que não condiz com a posição real da seleção.

O ranking da Fifa tem sua importância – especialmente quando é por ele que se definem os cabeças de chave em sorteio como da Copa do Mundo –, mas é bom lembrar: o Brasil será cabeça de chave de qualquer forma por ser sede da Copa.  E, se não servirá para isso, o ranking serve para muito pouco além disso. Serve para a vaidade quando se está no topo. Aquela vaidade de uma adolescente tirando foto de bico de pato no espelho. Não mais que isso.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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