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Bolt faz falta ao futebol brasileiro

Bolt xaveca a voluntária. Pede silêncio ao público. Ganha, abdicando do recorde olímpico – aquela soltadinha no final impediu que fizesse abaixo de 19s30 – e pedindo para todo mundo se calar. Faz flexão de braços. Abraça os amigos. Pede a câmera para um fotógrafo e retraa o público… E, antes que eu me esqueça, faz o gesto do raio.

É o maior velocista da história. É um mágico, um artista, um homem-show. O povo o adora, tem uma relação lúdica com ele. Bolt está aqui para nos divertir, diz o alemão aqui do meu lado. O mundo para por 20 segundos para ver o jamaicano correr.

Bolt disse que gostaria de jogar futebol. Piadista. Mas, falando sério, se a Jamaica naturalizasse um lançador mediano como Lúcio Flávio e escalasse Bolt na direita e Blake na esquerda, parados antes do meio campo, saindo para pegar a bola lançada, conseguiria se classificar para a Copa do Mundo novamente.

O futebol brasileiro com seus atletas evangélicos, fanáticos que não conseguem ver nada à frente a não se o dedo de seu deus fariam muito mais a alegria do povo se fossem alegres e espontâneos como Usain Bolt.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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