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Os videogames portáteis sempre foram aquela “salvação” para os momentos de tédio. Com o passar do tempo, os jogos se desenvolveram e conquistaram o mercado de tal forma que, ao invés de meras distrações, os portáteis se tornaram verdadeiras coqueluches. Muito disso impulsionado pelo enorme sucesso da franquia Pokémon, que alavancou o Game Boy, console mais marcante do gênero. De lá para cá, como se sabe, o estilo foi se aperfeiçoando, e hoje, em números absolutos, os aparelhos superam até as vendas dos next-gen. Estão aí Nintendo DS e Playstation Portable (PSP), que não deixam tal informação ser mentirosa.
Como se sabe, os games de futebol também fizeram – e ainda fazem – parte do hall de jogos do gênero, mas sempre como grandes coadjuvantes. Cenário que passou a mudar com o desenvolvimento dos aparelhos, que aprimoraram a jogabilidade e tornaram-na mais simples para jogos que exigissem mais movimentação, além de adicionar mais botões e aumentar as possibilidades. Afinal, durante muito tempo, cabia ao usuário tocar ou chutar. Nada mais. Hoje, os games do desporto bretão já estão, principalmente no PSP, entre os mais vendidos, com destaque às franquias FIFA e mesmo Football Manager.
Mas o “duro” passado do futebol virtual nos consoles portáteis não deixa de merecer atenção. Tradicionalmente, nunca estiveram entre os mais vendidos, mas possuem um relevante repertório, contendo versões “próprias” de games tradicionais como FIFA e International SuperStar Soccer, e até jogos oficiais de Copas do Mundo. Nesta coluna, portanto, vão-se recordar alguns dos principais jogos já lançados para o hoje extinto Game Boy e sua edição “Color”. Na próxima, por sua vez, serão relembrados os games de Game Boy Advanced e os mais famosos de PSP e Nintendo DS. Ah, e não, o colunista não se esqueceu do FIFA World Cup 2010. Por questões técnicas, este ainda será tema de texto futuro.
Famosos presentes
Comecemos com os mais conhecidos, que levaram a “rivalidade” dos 16-bit para os portáteis. Naturalmente, não poderia se esperar grandes destaques das reproduções de Konami e EA Sports para o Game Boy. O primeiro ISS, por exemplo, ainda era parte do Game Boy “tijolão”, aquele ainda sem cores. Embora não contasse com as licenças para jogadores, não tinha os elencos formados por Allejo, Sieke e companhia, mas por nomes “genéricos” aos atletas reais. Também não tinha muitas variações de torneios, permitindo, no máximo, um amistoso e uma copinha. Porém, até em virtude da demanda de games do gênero, não havia realmente muita necessidade de mais.
A versão 99 já veio para o Game Boy Color, e possuía os times que disputaram a Copa de 98, na França. Novamente, permitia somente um confronto amigável e um torneio, mas agora, que poderiam ser jogados em cores. Já a última edição (2000) foi prova clara da maior atenção que produtores de games para portáteis passaram a ter com o boom dos consoles. Os desenhos dos jogadores já eram mais bem feitos, e mesmo a sonoridade pode-se dizer que está evoluída. Afinal, deixou-se de lado aquela estranha musiquinha de fundo, e colocou-se algo próximo do que seria um batuque de torcida. Agora, aliás, havia novos modos de jogo, sendo possível até disputar ligas.
A série FIFA, por sua vez, em linhas gerais, manteve o padrão que apresentava no SNES. O campo na diagonal era o mesmo, e a pouca variação de botões presente já no 16-bits foi naturalmente. Até a trilha-sonora dos menus não mudou! Na edição 96, os clubes ainda existiam, e era curioso ver, na relação de times brasileiros, equipes como América-RJ, Bangu e Ferroviária, em detrimento de Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG. É de se notar, porém, que os licenciamentos de FIFA no Super Nintendo e no Mega Drive não se estenderia ao Game Boy, que continuaria com Janco Tianno e Rico Salamar na dupla de ataque da seleção até (acreditem!) a versão 98!
Copa do Mundo
Falar em 98 remete a Copas do Mundo. E naturalmente, entre uma saída e outra, os donos de portáteis não rejeitariam reproduzir os clássicos da maior competição esportiva do planeta em seus Game Boys. Dois jogos oficiais foram lançados para o aparelho. O primeiro foi o da Copa de 94, nos Estados Unidos, e ele era quase que idêntico à versão para Super Nintendo (já comentada na primeira das duas colunas sobre jogos oficiais dos Mundiais). Como em sua edição 16-bit, era possível escolher o idioma português para se entender nos menus, bem como disputar a Copa – sem, claro, esquecer de simular partida a partida até que enfim chegue a sua vez de ir a campo…
Já o game do Mundial da França, pode-se dizer, é uma decepção mesmo para os padrões de um portátil 8-bit. Afinal, não acrescenta em nada ao FIFA 98 do mesmo console e também desenvolvido pela EA Sports (o World Cup 94 é da US Gold). Não adiciona nem jogadores licenciados, que poderiam dar uma graça maior ao game. Além disso, não possuía nenhuma semelhança real com as versões para outros consoles. Como foi o último jogo de futebol da empresa norte-americana para o Game Boy, é fato que este poderia ter sido mais bem trabalhado, em que pese a prioridade natural aos então rivais Nintendo 64 e Playstation, bem como a versão para PC, a mais elogiada de todas.
Ilustres (quase) desconhecidos
Mas o famoso 8-bit da Nintendo não viveu só de franquias famosas. Recebeu também títulos ao estilo One Hit Wonder. Caso do engraçado Goal!, de 1993, da Jaleco. Curiosamente, o jogo só tem oito equipes, e só um representante sul-americano. Brasil? Não, a Venezuela, por incrível que pareça! Mais velho ainda, Super Kick Off, do fim dos anos 80, destacava-se pelo gramado enorme, a ponto de a bola, sempre que chutada, deixar o resto dos jogadores fora do campo de visão da tela. Por sua vez, o Nintendo World Cup, de 1991, ganha o prêmio de game de futebol mais caricato de Game Boy, com jogadores gordos e cabeçudos, que arregalam os olhos sempre que perdem a bola. E sim, é o mesmo que, no passado, foi o único jogo disponível para o extinto Nintendinho.
Mas se, no início, os games de futebol se caracterizavam mais por cenas engraçadas do que efetivamente pela diversão ou pelo capricho, dois em especial, já na reta final da era Game Boy, são provas claras da evolução do console e da própria atenção aos jogos do gênero. Trata-se de Total Soccer 2000 e Ronaldo V-Soccer, ambos do fim dos anos 90. À bem da verdade, pode-se até concluir que são os dois mais bem produzidos para o portátil, deixando para trás, disparado, os tradicionais games de EA Sports e Konami. Não só pelas cores, mas pela variedade de opções que proporcionam aos gamers.
O primeiro segue, em partes, os jogos mais antigos, com a câmera deitada e bonecos reduzidos a uma cabeça com um “x” e desenhos que tentam parecer braços e pernas. É, porém, dono de uma jogabilidade bem simples e fácil, que torna a experiência até divertida, dentro do que pode proporcionar um jogo de futebol no Game Boy, com todas as dificuldades pela proximidade dos botões e pelas dores nas costas. Total Soccer possui, ainda, os clubes que, à ocasião da produção do game, estavam nas primeiras divisões de Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha, com seus elencos reais, e é possível jogar cada uma das ligas, além de uma espécie de Liga dos Campeões.
Mas em termos de variedade, não há realmente quem supere o game que leva o nome do Fenômeno. Em suas devidas proporções, o jogo tem até mais qualidade que o Ronaldo V-Football de Playstation. Conta com diversas seleções e clubes europeus, e mesmo sem as licenças para os nomes dos jogadores e dos times (que podem ser editados), o jogo é bastante completo. A única equipe totalmente licenciada é a seleção brasileira, cujos jogadores são todos “oficiais”. É possível também criar a própria liga, com o regulamento desejado. Se a versão de PS1 deixou a desejar, pode-se dizer que a de Game Boy honrou o nome do atleta que emprestou sua alcunha ao game.