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Blatter pode ter concorrente sul-americano na disputa pela presidência da Fifa

Joseph Blatter pode ter mais um concorrente na disputa pela presidência da Fifa. Depois de Jérôme Champagne anunciar que irá concorrer pelo cargo contra o suíço, quem pode brigar pelo posto é o chileno Harold Mayne-Nicholls, membro do comitê técnico da entidade, que foi contra a realização da Copa do Mundo de 2022 no Catar.

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Mayne-Nicholls é ex-presidente da Federação Chilena de Futebol e foi responsável pela investigação que avaliou as candidaturas das Copas do Mundo de 2018 e 2022. O chileno sempre foi contra a realização do mundial no Catar pelos relatórios que foram feitos, mas no fim, o país do Oriente Média acabou vencendo a disputa. À agência Reuters, ele afirmou considerar a hipótese de concorrer com Blatter.

“Eu estou realmente avaliando a situação. É uma ideia muito boa, mas eu tenho que tomar cuidado com a decisão. Se eu decidir concorrer, não será uma candidatura apenas para marcar posição, eu farei o meu melhor esforço para vencer, esse será o meu objetivo”, disse o chileno à agência Reuters. “Na minha opinião, o melhor para o futuro da Fifa será ter o máximo possível de candidatos”, opinou. “Assim poderemos discutir ideias, trocar opiniões, antecipar as mudanças que a organização precisa. Assim como esses aspectos, traríamos de voltar a democracia e essa será uma questão chave para ter mais transparência no futebol”, analisou ainda o dirigente.

Mayne-Nicholls se manifestou contrariamente à realização da Copa do Mundo de 2022 no Catar, colocando o país como menos capaz de receber o evento, atrás de Estados Unidos, Austrália, Coreia do Sul e Japão. Vale lembrar que é preciso o apoio de cinco federações, no mínimo, para que a candidatura seja válida. Nicholls disse que não há pressa para definir essa questão, porque a eleição é em maio e não é preciso definir a candidatura antes de 28 de janeiro de 2015.

“Uma vez que você decide ser candidato, você precisa convencer 105 das 209 federações que são membros da Fifa, porque isso é o necessário para vencer”, analisou o chileno. “Eu escrevi uma coluna alguns meses atrás para o jornal El País na Espanha no qual apontei que precisamos de ar fresco. O que aconteceu ultimamente não serviu à imagem da Fifa ou, indiretamente, ao futebol”, continuou. “Há uma completa desconexão entre o que os torcedores acham que é preciso e o que a administração acha”, declarou ainda Mayne-Nicholls. “Isso me leva a acreditar que podemos fazer mudanças enquanto mantemos o que funciona bem. Eu não acho que é inteligente, a longo prazo, manter tanto os mesmos indivíduos quanto as estruturas”, disse.

Há quem ache que Blatter precisa mesmo deixar o cargo. “Eu acho que o presidente Blatter deveria pedir demissão pelo bem do esporte e pelo bem da organização. Ele estava em uma posição de liderança quando os escândalos apareceram e ele não assumiu responsabilidade pessoal”, disse Michael Hershman, membro do Comitê Independente de Governança que fez mudanças organizacionais na Fifa entre 2011 e 2013.

“Mesmo que seja verdade que ele não se envolveu em nada errado, francamente, minha experiência é que quando uma organização está continuamente embaixo de nuvens negras, uma das maneiras mais eficientes para sair dela é trocar a liderança”, disse Hersman.

A grande questão para Mayne-Nicholls é que ele precisa do apoio de ao menos cinco países para que a sua candidatura torne-se válida. E baseado no que já vimos nas últimas eleições da Fifa, esse é o passo mais difícil: ninguém quer tomar uma posição claramente contra Blatter, porque isso implicaria problemas caso o suíço seja reeleito. Por outro lado, se for possível conseguir esse apoio, o movimento pode crescer e tanto o chileno quanto Champagne podem ganhar muitos apoios.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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