Blatter: “Pagamentos da ISL não eram considerados infrações”

Presidente da Fifa, Joseph Blatter demonstrou ter conhecimento dos pagamentos feitos a João Havelange e Ricardo Teixeira pela ISL, empresa de marketing falida em 2001. Segundo Blatter, entretanto, os valores dados aos dirigentes, em troca de facilidades nas negociações dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, não eram ilegais na época.
“Saber o quê? Que uma comissão tinha sido paga? Naquela época, pagamentos desse tipo podiam até mesmo ser deduzidos do imposto de renda como despesas profissionais. Hoje, seriam puníveis pela lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais. Do contrário, resultaria em um julgamento de índole moral. Eu não podia ter conhecimento de uma infração que nem era considerada como tal”, disse, em entrevista ao site da Fifa.
Nesta quarta-feira, a Suprema Corte da Suíça ordenou a divulgação de documentos relativos a investigação criminal encerrada em 2010. Segundo o material, Teixeira e Havelange receberam 13 milhões de dólares em propinas, entre 1992 e 1997.
O presidente também afirmou que o anonimato foi mantido por opção da justiça suíça: “Foi o Tribunal Federal Suíço que decidiu fazer de forma anônima a publicação da ordem de arquivamento do caso ISL. No que tange a mim, o documento inteiro poderia ter sido publicado ‘limpo’, o que poria fim a todas as especulações de uma vez por todas”.
Além disso, Blatter falou sobre possíveis punições a João Havelange: “Não tenho o poder de chamá-lo a prestar contas. O Congresso o nomeou presidente honorário. Somente o Congresso pode decidir o futuro dele”.



