Atlético Nacional, Ranieri, Falcão: O mais legal da cerimônia da Fifa foram as homenagens

O prêmio de melhor do mundo era o principal pretexto da noite. E, no fim das contas, Cristiano Ronaldo terminou como a grande personalidade da festa. Mas, em sua primeira cerimônia desde a cisão com a Bola de Ouro, a Fifa caprichou por motivos além. A entidade internacional aproveitou o evento para transformá-lo em uma grande homenagem. E deu certo, em diferentes aspectos. Não só para prestar o reconhecimento aos melhores do ano, como também para exaltar outros nomes que marcaram o passado e o presente do futebol.
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Ronaldo, Batistuta, Nakata, Shevchenko, Roberto Carlos, Rijkaard, Puyol. Grandes craques subiram ao palco em Zurique. Uma das presenças mais celebradas foi a de Maradona. Mesmo que a Fifa pós-escândalo não se pareça tão diferente da anterior, El Diez fez as pazes com os mandatários do futebol mundial e entregou um dos troféus. Já outro nome bacana de ter sido lembrado pela entidade internacional foi o de Lucas Radebe. O ex-capitão da África do Sul cresceu em Soweto e levou mesmo um tiro na perna, nos anos mais duros de violência em tempos de Apartheid. Teve grande representatividade na década de 1990, encabeçando trabalhos sociais e, por isso mesmo, recebeu o Prêmio Fair Play da Fifa em 2000. Não à toa, certa vez Nelson Mandela o apresentou como “meu ídolo”.
Radebe condecorou as torcidas de Borussia Dortmund e Liverpool, em uma das novidades mais legais da cerimônia. Como já havia anunciado, a Fifa premiou a melhor ação de torcida, em escolha popular. Aurinegros e vermelhos superaram a Islândia e o ADO Den Haag, com 45,92% dos votos. E se a determinação dos três finalistas, realizada em novembro, não incluiu o tributo que o Atlético Nacional prestou à Chapecoense, os colombianos também subiram ao palco. Naquela que talvez tenha sido a escolha mais merecida da noite, os verdolagas receberam o Prêmio Fair Play, por toda a humanidade que proporcionaram em Medellín. O presidente Juan Carlos de la Cuesta esteve presente na Suíça.
O conjunto da obra de Claudio Ranieri teve reconhecimento no troféu de melhor técnico. O italiano desbancou Zinedine Zidane e Fernando Santos, sendo um dos mais aplaudidos da noite. De uma carreira que parecia fadada ao ostracismo, ele se reinventou para levar o Leicester ao topo. Recebeu a honraria das mãos de Maradona. Além disso, a Fifa também entregou uma condecoração honorária a Falcão, após sua aposentadoria da seleção brasileira de futsal. Considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos na modalidade, a lenda recebeu o “Prêmio de Carreira Excepcional”.
A Fifa também não deixou passar batida a lembrança a dois dos principais personagens do futebol que faleceram em 2016: Johan Cruyff e Carlos Alberto Torres tiveram seus grandes momentos reproduzidos no telão. Uma pena que, justo na entrega do prêmio de melhor do ano a Cristiano Ronaldo, quando outra grande homenagem poderia ter sido feita, Gianni Infantino resolveu aparecer no palco. Seria ainda melhor se Maradona pudesse celebrar o camisa 7. Não dá para esperar que tudo seja perfeito. Para o que a gente está acostumado, a Fifa fez até demais.
Confira a lista de vencedores:
Melhor jogador – Cristiano Ronaldo
Melhor jogadora – Carli Lloyd
Melhor treinador futebol masculino – Claudio Ranieri
Melhor treinador futebol feminino – Silvia Neid
Prêmio Puskás – Mohd Faiz Subri
Prêmio Carreira Excepcional – Falcão
Prêmio Fair Play – Atlético Nacional
Melhor ação de torcida – Liverpool e Dortmund
Seleção do ano – Neuer, Daniel Alves, Piqué, Sergio Ramos e Marcelo; Kroos, Modric e Iniesta; Messi, Luis Suárez e Cristiano Ronaldo



