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Os planos da Arábia Saudita para atrair mais investimento e competir com as principais ligas do mundo

Planos de investimento vão além do quarteto rico e devem impactar diferentes setores do país

Os planos da Arábia Saudita em se tornar uma potência global no futebol ganhou novos ares após a passagem pelo Mundial de Clubes, em que se destacou depois do Al-Hilal eliminar o Manchester City nas oitavas de final.

De acordo com o portal americano “The Athletic”, a missão ganhou seu primeiro impulso há dois anos, quando o Fundo de Investimento Público, considerado o braço soberano do país do Golfo, comprou 75% das ações de quatro dos maiores clubes do país — Al-Hilal, Al-Ittihad, Al-Nassr e Al-Ahli.

Também houve privatização de outros clubes por empresas apoiadas pelo estado. O Al-Qadsia foi comprado pela gigante petrolífera Aramco; já o projeto da nova cidade de Neom adquiriu o Al-Suqoor e o renomeou com seu próprio nome. A Diriyah Gate Development Authority assumiu o controle do Al-Diriyah, e a Royal Commission for Al Ula investiu em seu time homônimo.

A mudança é expressiva para o curto período, já que, até 2023, toda a liga era de propriedade do Ministério do Esporte do país, com apenas alguns clubes se beneficiando de benfeitores ricos.

A nova forma de investimento refletiu nos resultados. Entre os exemplos está o desempenho do Al-Hilal na Copa do Mundo de Clubes, onde chegou a empatar com o Real Madrid (1 a 1) antes de eliminar o City.

Na tentativa de manter a boa campanha durante o próximo mundial, realizado em 2029, a tendência é que mais privatizações sejam feitas com o intuito de abrir a liga para captar novos investimentos estrangeiros. A tentativa é de ajudar a Saudi Pro League a competir com as principais divisões dos principais países europeus.

De acordo com fontes ouvidas pelo “The Athletic”, um acordo está em processo de confirmação para a primeira empresa estrangeira adquirir um clube da liga saudita.

MANCHESTER CITY VS AL HILAL- CLUB WORLD CUP – 30 JUNIO 2025
Al-Hilal após vencer o Manchester City no Mundial de Clubes (Foto: IMAGO / Straffon Images)

Segunda onda de privatização dos clubes na Arábia Saudita

A segunda onda de privatizações começou ainda no ano passado, quando seis clubes foram colocados em processo de licitação. Al-Okhdood, Al-Orobah e Al-Kholood, da Saudi Pro League, além do Al-Zulfi, Al-Nahda e Al-Ansar, das divisões inferiores, foram oferecidos, em uma tentativa de aumentar a profundidade da liga saudita de futebol.

O “The Athletic” informou que os novos proprietários dos seis clubes devem ser anunciados nas próximas semanas. O jornal inglês comunicou que objetivo é ter a grande maioria dos 18 times da Pro League em mãos privadas nos próximos anos. A decisão faz parte dos planos da SPL, não quer uma elite de clubes ricos e pobres, onde apenas parte dos times possam competir por títulos.

Ainda segundo o periódico, os quatro clubes financiados pelo PIF foram impulsionados por um investimento de mais de 1 bilhão de libras esterlinas (cerca de R$ 7 bilhões na cotação atual) no recrutamento de talentos da Europa, mas o modus operandi do fundo é simples em qualquer investimento: retorno sobre o investimento.

O plano era comprar esse conjunto inicial de clubes como uma forma de capital semente e, em seguida, expandir a liga comercialmente para vendê-los com lucro. Embora não haja um cronograma definido, se forem vendidos, será considerado um trabalho concluído.

A prioridade da SPL agora é criar um modelo sustentável. Indo na contramão das equipes do Golfo, Catar e Emirados Árabes Unidos, que priorizavam a infraestrutura, o futebol saudita há muito tempo optava por nomes atraentes em vez de bases sólidas.

JEDDAH, SAUDI ARABIA – MAY 30: Ittihad s players celebrate with the championship trophy during the podium ceremony . dur
Al-Ittihad campeão (Foto: IMAGO / Ali Issa)

Os jogadores da liga tinham uma média de idade de pouco menos de 30 anos, a permanência médio de um técnico era de cerca de seis meses e muitos clubes estavam sobrecarregados de dívidas. Antes, dependendo de verbas do Ministério do Esporte, percebeu-se que os clubes precisavam aprender a se sustentar por conta própria.

De acordo com o “The Athletic”, em um movimento para fortalecer a Saudi Pro League, o ex-diretor técnico do Chelsea e do Monaco, Michael Emenalo, foi nomeado diretor de futebol. A ação veio em resposta às negociações no mercado, já que alguns clubes sauditas sentiam que estavam sendo explorados por agentes. A função de Emenalo e sua equipe técnica é voltada para atuarem como um ponto de controle em toda a liga.

Essas atividades poderão ser feitas por meio dee um centro de excelência em aquisição de jogadores, que fornecem conhecimento de olheiros para que os clubes do ministério possam aproveitar, além de servirem como um serviço de concierge para as novas contratações da liga, já que muitas equipes não têm um programa de ligação com jogadores semelhante.

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A chegada de estrelas e necessidade de infraestrutura

A chegada de Cristiano Ronaldo ao Al Nassr em janeiro de 2023 e do atacante Karim Benzema ao Al-Ittihad cinco meses depois elevaram o perfil da SPL, mas a liga também aprendeu com esses jogadores de elite sobre a infraestrutura que seus clubes precisariam oferecer para competir com as potências tradicionais do esporte.

Ainda nos caminhos para construir uma liga mais competitiva, a SPL assumiu oficialmente a supervisão financeira de seus clubes.

Segundo o “The Athletic”, o Ministério do Esporte transferiu seu poder do comitê de sustentabilidade financeira para um novo órgão, que faz parte da estrutura da liga. A liga afirma que o grupo — composto por representantes do ministério, da Federação Saudita de Futebol e da liga, além de membros independentes — foi criado “para aprimorar a governança financeira, agilizar os processos regulatórios e fortalecer a disciplina institucional”.

Com o novo formato de administração, os clubes passaram a receber incentivos para construir suas estruturas internas. O periódico inglês informou que é semelhante a um programa de estudos em que, quanto mais requisitos você preencher em relação aos aspectos comerciais, de infraestrutura e comunitários de sua organização, maiores orçamentos de apoio serão desbloqueados. Esses indicadores também ajudam a formar a decisão sobre quais times serão privatizados.

Futebol como destino turístico

Mas os grandes investimentos do projeto não estão voltados somente para o futebol. Al-Ula passou a ser controlado pela Comissão Real, um órgão encarregado de transformar uma cidade do norte com história arqueológica em uma cidade aberta à visitação.

O plano faz parte do projeto Visão 2030, um programa governamental, lançado em 2016, que traça planos ambiciosos de como a Arábia Saudita poderia se desenvolver longe de suas receitas tradicionais de petróleo e gás.

O Al-Diriyah também teve 75% de sua participação transferida para uma empresa de propriedade da PIF, como parte do objetivo de desenvolver a cidade, nos arredores da capital, Riad, em um destino cultural, turístico, de entretenimento e esportivo. O diretor esportivo do Crystal Palace, Dougie Freedman, foi contratado este ano para ampliar o elenco.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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