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Apenas 30 clubes foram responsáveis por 47% do total que foi gasto em transferências na última década

Relatório da Fifa sobre o mercado de 2011-2020 aponta a nacionalidade brasileira como a mais procurada do período

A nacionalidade brasileira foi a mais procurada no mercado e US$ 48,5 bilhões de dólares foram gastos em transferências ao longo da última década (2011-2020), que também viu um salto exorbitante no pagamento de comissões a agentes, segundo um relatório da Fifa sobre o mercado de transferências.

O documento também traz um número que ilustra muito bem a desigualdade financeira do futebol mundial: os 30 clubes que mais gastaram nesse período desembolsaram US$ 22,8 bilhões ou 47% do total de dinheiro que mudou de mãos em transferências.

Esses 30 clubes são de apenas sete federações nacionais, todas europeias:

12 – Inglaterra: Manchester City, Chelsea, Manchester United, Arsenal, Tottenham, Liverpool, Leicester, Southampton, Wolverhampton, Everton, West Ham e Newcastle.

5 – Espanha: Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid, Valencia e Sevilla

5 – Itália: Juventus, Internazionale, Roma, Napoli e Milan

3 – Alemanha: Bayern de Munique, Borussia Dortmund e RB Leipzig

2 – França: Paris Saint-Germain e Monaco

2 – Portugal: Porto e Benfica

1 – Rússia: Zenit São Petersburgo

Abrangendo toda os clubes associados às federações nacionais, a Inglaterra lidera com US$ 12,4 bilhões gastos em transferências, seguida por Espanha (US$ 6,7 bilhões), Itália (US$ 5,6 bilhões), Alemanha (US$ 4,4 bilhões) e França (US$ 4 bilhões). O Brasil foi o 11º país na lista, com um gasto total de US$ 800 milhões, atrás também de Rússia, China, Portugal, Turquia e Bélgica.

Estes são os 15 clubes que mais gastaram com transferências na última década – a Fifa não deu o valor total:

Cerca de 41,1% do que foi pago em transferências chegou aos cofres dos 30 clubes que mais receberam dinheiro no mercado. Há clubes diferentes nas duas listas, mas de qualquer maneira esse levantamento sugere que quase metade do dinheiro do mercado de jogadores circula entre os mesmos 40 ou 50 clubes.

Estes são os 15 clubes que mais receberam por transferências na última década:

Fazendo justiça à fama de celeiro de jogadores da Europa, Portugal tem os seus três principais clubes entre os maiores recebedores de taxas de transferência. O Benfica inclusive lidera o top 30 em volume absoluto de negociações, incluindo vendas e empréstimos, com 311.

O Manchester City aparece com 307, mas 232 dessas movimentações foram empréstimos de jogadores. Famoso por essa estratégia, foi o clube que mais emprestou atletas na última década, seguido pelo Chelsea (207), Benfica (189), Udinese (166) e Swansea (146).

A Fifa também listou os 30 clubes com o maior balanço positivo no mercado de transferências – vendas menos compras. Segundo a entidade, 68,3% dos clubes envolvidos em negócios que tiveram taxas lucraram na última década, embora menos de 10% deles tenham um lucro acima de US$ 10 milhões.

Esses são os 15 primeiros, com a presença do São Paulo:

Outros seis clubes brasileiros estão entre os 30 primeiros: Santos, Flamengo, Corinthians, Fluminense, Grêmio e Internacional.

O Brasil foi a nacionalidade líder no mundo em volume total de transferência de jogadores, com 15.128 atletas vendidos, seguido pela Argentina (7.444), Reino Unido (5.523), França (5.027) e Colômbia (4.287). Espanha (3.922), Nigéria (3.793), Sérvia (3.576), Uruguai (3.341) e Gana (2.848) fecham o top 10.

O brasileiro também foi o que mais movimentou dinheiro com venda de jogadores, muito à frente de franceses e espanhóis. Confira todas nacionalidades que superaram a marca de US$ 1 bilhão em vendas:

 

A ponte aérea mais comum do futebol mundial foi a transferência de jogadores do Brasil para Portugal, com 1.556 negócios. Em seguida, aparecem Inglaterra-Escócia (1.239), Portugal-Brasil (934), Inglaterra-Gales (846) e Gales-Inglaterra (701). Argentina-Chile, França-Bélgica e Alemanha-Turquia também estão bem posicionadas.

Em valores, a venda de jogadores da Espanha para a Inglaterra foi a que mais movimentou dinheiro, com US$ 2,4 bilhões. Aliás, a Inglaterra aparece como a maior gastadora em cinco das seis primeiras relações, também despejando libras para França (US$ 2,1 bilhões), Alemanha (US$ 1,59 bilhão), Itália (US$ 1,47 bilhão) e Portugal (US$ 1,24 bilhão. A única exceção é na venda de jogadores da Inglaterra para a Espanha (US$ 1,64 bilhão).

 

Não à toa, a Inglaterra é de longe a federação nacional com o balanço mais negativo no mercado de transferências na última década. Essa lista também reflete a estratégia agressiva adotada por clubes chineses nesse período. Veja as dez primeiras:

No outro lado, o Brasil foi o segundo país com melhor balanço positivo no mercado de transferências, recebendo US$ 2 bilhões no equilíbrio entre vendas e compras, atrás apenas de Portugal. Veja os dez primeiros:

 

Restringindo apenas à Conmebol, o Flamengo foi o clube que mais gastou em transferências na última década, seguido por Atlético Mineiro e Boca Juniors. O Brasil domina o top 10, com oito representantes. Apenas o Júnior de Barranquilla e o Atlético Nacional, da Colômbia, e o Deportivo Maldonado, do Uruguai, aparecem entre os 20 primeiros e não são de Brasil ou Argentina. Este é o top 15:

Preocupação à Fifa, o total de pagamentos de comissão a empresários pulou de US$ 131,1 milhões em 2011 para US$ 640 milhões em 2019. No total, US$ 3,5 bilhões foram para os bolsos dos agentes no período. Por outro lado, o valor de pagamentos de solidariedade se manteve estável: US$ 38,5 milhões em 2020 versus US$ 38 milhões em 2011.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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