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Antes tarde do que nunca: Fifa quer definir princípios de direitos humanos para sedes da Copa

John Ruggie, professor da Universidade de Harvard, definiu um conjunto de princípios de direitos humanos em atividades comerciais, que foi endossado por unanimidade pelo conselho das Nações Unidas. Agora, sua missão é fazer algo parecido com a Fifa, definindo pré-requisitos que os países candidatos a sede da Copa do Mundo precisam seguir, assim como empresas que quiserem patrocinar a entidade.

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Depois do escândalo de corrupção que prendeu dezenas de dirigentes da Fifa, mais um punhado de executivos de marketing ligados a ela, e suspendeu o presidente Joseph Blatter, o vice Michel Platini e o secretário-geral Jérôme Valcke, a entidade está empenhada em melhorar a sua imagem perante ao público – pelo menos no jogo das relações públicas, não necessariamente com práticas concretas.

Definir requisitos de direitos humanos para ser sede da Copa do Mundo parece uma boa ideia, e seria uma medida concreta, se for bem aplicada na candidatura de 2026. Evidentemente, a iniciativa aparece com alguns anos de atraso, depois da Rússia, com vários casos de racismo e homofobia no esporte nos últimos anos, e do Catar, acusado de usar trabalho escravo nas obras dos estádios, terem sido escolhidos como sedes dos Mundiais de 2018 e 2022, respectivamente.

“Se esses princípios existissem no contexto da candidatura de 2022, as exigências já teriam sido muito diferentes. O país sede teria duas escolhas: não se candidatar ou concordar com as condições”, afirmou Ruggie à agência Associated Press. “Não estamos pedindo que a Fifa resolva todos os problemas globais de direitos humanos, mas o que as recomendações vão exigir é um entendimento sobre o impacto de direitos humanos nas suas atividades, relações e eventos, e os procedimentos adequados para evitar consequências adversas”.

Assim como os países-sede, as empresas parceiras da Fifa terão que provar que as condições dos trabalhadores são adequadas. Ruggie, inclusive, os brasileiros que foram desalojados de suas casas para a construção de obras da Copa do Mundo de 2014. “Há leis internacionais que falam da necessidade de consultar e compensar as comunidades adequadamente. Você não pode mandar as escavadeiras para destruir as casas para você construir um estádio”, completou Ruggie.

O professor de direitos humanos e relações internacionais de Harvard foi inicialmente abordado por Blatter, em agosto, quando o presidente da Fifa ainda não estava suspenso. O acordo demorou para sair porque Ruggie queria manter o controle editorial sobre o produto final e conseguiu – Michael Garcia, investigador independente contratado pela Fifa para investigar as candidaturas de 2018 e 2022, não teve a mesma sorte e apenas partes do seu relatório foram divulgados ao público. A conclusão de Ruggie será publicada em março do ano que vem.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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