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A defesa foi o melhor ataque para uma concentrada Alemanha tirar a favorita Espanha do Mundial Sub-17

A Alemanha não era a favorita, mas usou de sua força defensiva para despachar a Espanha e chegar às semifinais do Mundial Sub-17

Christian Wück não estava feliz com seus comandados da Alemanha no Mundial Sub-17. Passou com 100% de aproveitamento pela fase de grupos, muito pela fragilidade de seus adversários na chave. Nas oitavas de final, não fez bom jogo para passar pelos Estados Unidos e, então, o treinador veio aos microfones pedir melhoras. Considerava que os garotos alemães estavam cometendo demasiados erros, principalmente ofensivos, a maior parte deles frutos de pura desatenção. E, nas quartas de final, teria pela frente a poderosa e favorita Espanha, comandada por Marc Guiu, grande promessa do Barcelona. E, ao que parece, a chamada de Wück surtiu efeito e, mesmo como quase uma zebra, a Alemanha bateu a Espanha por 1 a 0, sem cometer erros durante todo o jogo, e é a primeira seleção classificada para as semifinais do Mundial Sub-17.

Mesmo com as reclamações pré-jogo, Wück não mexeu muito em seu time para encarar os espanhois: promoveu a entrada de Almugera Kabar na lateral-esquerda, adiantando Maximilian Henig para o meio-campo, atuando como volante pelo lado esquerdo, e colocando Robert Ramsak no banco. Mudança bem simples, mas que surtiu o efeito desejado, tal qual as falas do treinador. A Alemanha foi concentrada, como é praxe de suas seleções da base ao profissional, e resistiu a uma envolvente Espanha.

Espanha é melhor, como esperado, mas para no muro alemão

A Espanha tocou mais bola, criou mais chances e tentou mais do que a Alemanha. Guiu, no comando de ataque, tentou ser o jogador espanhol mais perigoso, mas encontrou à sua frente um esquema defensivo que pareceu ser feito para pará-lo. Interessante neste Mundial foi ver o quanto a promessa do Barcelona tem personalidade. Mesmo sem ser efetivo contra os alemães, ele tentou bastante, se colocou para ser a principal opção de chances dos espanhois. Mas a Alemanha estava ligada, como queria seu treinador, e evitava chances atrás de chances.

Então o calor da Indonésia entrou como um ajudante alemão em uma partida até então dominada totalmente pela Espanha. Pois foi após a pausa para hidratação, aos 30 minutos do primeiro tempo, que a Alemanha finalmente entrou em campo. Foi apenas aos 36 minutos da primeira etapa que, em boa jogada de Noah Darvich, capitão e cérebro da equipe, os alemães chegaram com mais ênfase. Muito pouco para um time nas quartas de final, sobrevivendo de uma inspiradíssima defesa, que se mostrou incansável na perseguição aos atacantes espanhois.

Um pênalti, um gol e tudo resolvido para a Alemanha

Paris Brunner, destaque da base do Borussia Dortmund, acabou sendo o grande destaque alemão no segundo tempo. Cravou duelo pessoal com Héctor Fort, lateral-direito espanhol do Barcelona, e acabou vencendo. Foi derrubado na área por volta dos 20 minutos do segundo tempo, sofrendo pênalti que ele mesmo cobrou e converteu, dando uma inesperada vantagem à Alemanha.

E aí a forte defesa alemã voltou a funcionar. Os espanhóis martelarem, tentaram, mas seguiram na tônica do primeiro tempo: muitas tentativas, pouca efetividade. A partir dos 35 minutos da segunda etapa, o famoso desespero pré-eliminação tomou conta da Espanha, que deixou de ser o organizado time que se apresentou durante todo o Mundial e passou a ser um bando desesperado em busca de um gol de empate.

Como Wück pediu, a Alemanha não vacilou. Mostrou por quais motivos é a campeã europeia sub-17 atual e soube sofrer, soube deixar o adversário se desesperar. Desespero esse que foi consumado no que basicamente foi o último lance do duelo: um desesperado goleiro Raúl Latorre tentou impedir aos 11 minutos de acréscimo o que seria o segundo gol alemão, foi expulso e deu pinceladas finais ao desespero espanhol. Melhor para a Alemanha, que agora aguarda o vencedor de Brasil e Argentina para saber quem enfrenta nas semifinais.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
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