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A Alemanha supera a valentia do Chile e se sagra campeã na Copa das Confederações

Alemanha e Chile fizeram jus à grandeza da ocasião. A Copa das Confederações pode não ser prioridade à maioria das seleções, mas os dois finalistas proporcionaram uma decisão bastante disputada. Os chilenos, confiando em sua voracidade. Os alemães, primando por sua eficiência. E apesar da ótima atuação de La Roja, buscando o resultado durante a maior parte do tempo, o Nationalelf prevaleceu. Os erros pontuais custaram caro aos sul-americanos, especialmente o que possibilitou o gol germânico no triunfo por 1 a 0. Decepção pelo sonho partido ao meio de um lado, enquanto do outro o torneio serve de rito de passagem para outro sonho em 2018. Certamente, muitos dos destaques alemães ganharam a confiança de Joachim Löw rumo à próxima Copa do Mundo.

O Chile iniciou a partida em São Petersburgo apresentando o melhor de seu futebol ofensivo. La Roja se postou no campo de ataque e pressionou intensamente, com os meio-campistas e os laterais se aproximando da área adversária. Além disso, a marcação adiantada conseguia recuperar a bola sem grandes problemas. Coube à Alemanha aguentar o sufoco como podia. Faltava aos chilenos, porém, mais qualidade nas finalizações. A supremacia não se convertia em vantagem no placar, com os alemães conseguindo travar a maioria dos arremates. Arturo Vidal era quem mais levava perigo e, nas duas melhores chances, parou em Marc-André ter Stegen.

O primeiro erro defensivo do Chile, contudo, custaria caro demais. Em uma bola dominada na defesa, Marcelo Díaz tentou sair jogando, acuado pelos atacantes alemães. Quando pensou se livrar de Lars Stindl, veio Timo Werner e o desarmou. Lance inteligente do jovem artilheiro, que ainda teve frieza para rolar ao companheiro na frente de Claudio Bravo. Com a meta vazia, Stindl não teve problemas para abrir o placar. Lance parecidíssimo com o terceiro gol do Nationalelf no traumático 7 a 1 do Mineirão, em que Toni Kroos bateu a carteira de Fernandinho e tabelou com Sami Khedira para vencer Júlio César.

A vantagem no placar deu tranquilidade à Alemanha, assim como diminuiu o ímpeto do Chile. O time de Juan Antonio Pizzi permanecia no campo de ataque, mas sem encontrar as mesmas brechas para finalizar. Além disso, estava bastante exposto aos contra-ataques. Os germânicos terminaram o primeiro tempo melhores, agindo em velocidade e desperdiçando algumas chances de anotar o segundo. Leon Goretzka e Julian Draxler erraram o alvo por centímetros, nas oportunidades mais claras, enquanto o meio-campista do Schalke 04 ainda carimbou Claudio Bravo após falha de Gonzalo Jara.

Na volta para o segundo tempo, a Alemanha manteve o controle do jogo. Conseguia esfriar os chilenos e gastava o tempo. O ritmo da partida caiu bastante. Além disso, os dois times demonstravam sinais de tensão, se desentendendo facilmente. Uma discussão entre Joshua Kimmich e Arturo Vidal rendeu cartão amarelo para os dois. Depois, Gonzalo Jara deixou o cotovelo no queixo de Timo Werner, mas nem o uso do VAR proporcionou a expulsão do defensor. Os chilenos precisavam colocar a cabeça no lugar.

Durante os 25 minutos finais, o Chile voltou a intensificar a pressão. Partiu para o tudo ou nada, diante da urgência do empate. Pizzi, inclusive, aumentou a ofensividade de seu time a partir das substituições. Todavia, a zaga alemã continuava lutando para travar as finalizações, assim como Marc-André ter Stegen mantinha a segurança sob as traves, acumulando grandes defesas. A Alemanha até buscava os contragolpes, mas sem tanta competência nas conclusões. Já as duas melhores chances da Roja aconteceram depois dos 39. Primeiro, Edson Puch avançou à linha de fundo e cruzou, após a saída de Stegen em seus pés. Anyelo Sagal isolou. Por fim, nos acréscimos, em cobrança de falta perigosíssima na entrada da área, Alexis Sánchez mirou no canto do goleiro, mas Stegen espalmou. Garantiu o título com aquela intervenção.

A desolação do Chile ficou evidente nos rostos de tantos jogadores, alguns até chorando. Alegria alemã por um título que importaria mais historicamente aos seus adversários, mas vale para enfatizar as virtudes da geração testada por Joachim Löw. Pela liderança, Draxler e Stegen deixaram a competição como protagonistas. Além disso, outros nomes se indicaram prontos para assumir um lugar no time principal – Kimmich, Goretzka e Werner, especialmente. A Roja, por sua vez, vê as suas carências expostas, mas não tem muito para onde correr em um grupo de jogadores que já faz bastante ao país, como bem mostrou neste domingo.

Na cerimônia de premiação, Ronaldo e Diego Maradona entregaram os principais prêmios da noite. Julian Draxler ficou com a Bola de Ouro, Timo Werner recebeu a Chuteira de Ouro e Claudio Bravo ganhou a Luva de Ouro. A Alemanha ainda foi capaz de um belo gesto para demonstrar respeito aos chilenos: os jogadores germânicos formaram um corredor para aplaudir a caminhada dos oponentes rumo ao pódio. Gentileza retribuída instantes depois pelos sul-americanos, quando os europeus foram pegar suas medalhas e erguer a taça. Resta saber o futuro da Copa das Confederações, seriamente ameaçada de extinção. Independentemente disso, o Nationalelf aproveitou muito bem a ocasião e sai fortalecida rumo ao próximo Mundial.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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