Mundial de Clubes

Mesmo com vice, Fluminense e Diniz contrariam críticas e têm suas vitórias no Mundial de Clubes

O Fluminense perdeu a final do Mundial, mas teve suas vitórias, como, por exemplo, se manter fiel ao ideal de Diniz

O Fluminense foi goleado por 4 a 0 pelo Manchester City e ficou com o vice do Mundial de Clubes. A derrota do Tricolor, entretanto, está longe de ser explicada pelas críticas rasas que foram feitas ao time e ao técnico Fernando Diniz nos últimos dias.

No Brasil, a expectativa de algumas pessoas era que Diniz modificasse drasticamente seu estilo e se defendesse para tentar uma chance de sair com o título. O técnico não fez isso, e o resultado, apesar de “amargo”, como em suas palavras, não foi construído por conta da tentativa do Flu em jogar futebol.

Super Odds na Dafabet »

Pelo contrário.

Nos momentos em que conseguiu competir com os europeus, o campeão da Libertadores jogou ao seu estilo. Bola no chão, goleiro jogando com os pés, saída com os zagueiros dentro da área e construção com passes em progressão até o campo adversário.

City mostra abismo e é dominante, mas Fluminense mantém Dinizismo

O Fluminense perdeu por 4 a 0 para o Manchester City, e o resultado ilustra bem o abismo que existe entre os clubes.

Ao mesmo tempo que sofreu uma derrota amarga, o resultado, ao fim, parece pouco importante dado o panorama do Mundial de Clubes. De qualquer maneira seria difícil, e já que é assim, o Flu foi fiel ao Dinizismo que lhe levou até lá.

O Tricolor jogou com suas convicções, e só por isso, já venceu. Fernando Diniz venceu a queda de braço com os críticos. Só isso já valeu a pena, como o próprio treinador disse em sua coletiva.

Pep Guardiola rasga elogios ao Fluminense após final do Mundial

Não à toa, Pep Guardiola, o técnico que mais uma vez conquistou a Europa e o mundo, agora com o Manchester City, rasgou elogios ao Fluminense.

Não posso nem imaginar caso o Fluminense saísse na frente… A capacidade que eles têm de se associar no curto espaço é impressionante. Nos exigiu muito defensivamente.

Em que pese ter sofrido um gol quando o relógio não marcava nem um minuto de jogo, o Flu manteve a coragem que Fernando Diniz tanto prega. Nos primeiros 25 minutos de jogo, teve mais de 60% de posse de bola contra o Manchester City, algo que poucos times no mundo fizeram.

— A gente ganhou com uma boa pressão. Ganhamos a bola no começo e fizemos o gol cedo, e eles tiveram 12 ou 15 minutos fantásticos. A gente percebeu o quão difícil seria, mas o segundo gol nos ajudou muito. Talvez eles não merecessem esse gol, mas no segundo tempo fomos melhores, muito melhores — disse Guardiola.

Resultado é amargo, mas Diniz vê tudo valer a pena no Fluminense

Do outro banco de reservas, Fernando Diniz teve leitura parecida. O treinador do Fluminense admitiu que o resultado foi amargo e doloroso. Mas viu bons momentos apesar da goleada sofrida por sua equipe.

Isso de envolver o Manchester City: qual time no mundo que conseguiu envolver o Manchester City durante 15, 20 minutos? Qual time envolveu mesmo? A gente envolveu

As ideias do treinador estiveram presentes no jogo. Não à toa, Diniz mostrou orgulho pelo desempenho do Flu.

— O Fluminense foi Fluminense do começo ao final do ano. Isso me traz muita satisfação. Obviamente que o resultado é muito amargo, ruim para caramba, mas a maneira que o Fluminense se portou é o Fluminense que a gente gosta de ver, com coragem para fazer as coisas e não se submetendo a ninguém — declarou Diniz.

Nem veteranos, nem estilo: Fluminense mostra que críticas eram equivocadas

O Fluminense não perdeu por 3 a 0 porque jogou ao estilo de Fernando Diniz ou tinha muitos veteranos em campo. Muito pelo contrário. Em todo o tempo que foi competitivo, o Tricolor conseguiu o feito por atuar de sua maneira.

Se algo pode resumir a derrota do Tricolor é o abismo financeiro e esportivo do futebol europeu comparado ao sul-americano. Em resposta à Trivela na entrevista coletiva, o técnico do Fluminense

— Não é que falte só dinheiro. Por que você acha que o André provavelmente vai ser vendido? Por conta do dinheiro. Por que o Guardiola trabalha lá? Muito por conta porque é bem remunerado. Ele não vai sair do Manchester e vir para o Fluminense para receber o que eu recebo. Então você vai acumulando um monte de coisas que o dinheiro te favorece. Não é só o dinheiro. O dinheiro tem muito a ver com isso. Junto com o dinheiro você consegue melhor entretenimento, os melhores campos, traz os melhores jogadores, tem a melhor estrutura, os melhores aparelhos… Você vai colocando tudo o que há de melhor — opinou.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Botão Voltar ao topo