Mundial de Clubes

River se classifica com a estrela de Alario, o jogador dos gols decisivos

Com gols decisivos, Alario marcou na semifinal, final e agora no Mundial de Clubes e leva River à final

Semifinais de Mundiais de Clubes têm sido historicamente difíceis para os sul-americanos desde que o atual formato foi adotado, em 2005. Nenhum time da América do Sul passou com tranquilidade e, pior, dois deles já foram derrotados nesta fase. Não foi diferente em 2015. Em Osaka, o River Plate, campeão da Copa Libertadores, demorou para conseguir o seu gol contra o campeão japonês, Sanfrecce Hiroshima. Venceu por 1 a 0, sofrido, com o goleiro Barovero sendo destaque e com um gol do mais iluminado jogador do clube desde que chegou: o atacante Lucas Alario.

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São oito gols do atacante millonario, que chegou durante a Libertadores vindo do Colón, onde começou a carreira. A transferência aconteceu em junho, durante a parada da Copa Libertadores para a Copa América. Entrou no time na semifinal, depois da saída de Teo Gutiérrez, até ali, um dos destaques do time. Aliás, ele chegou justamente para o lugar do atacante colombiano, inclusive ganhando o posto de titular. Conseguiu se encaixar e marcar gols. Mais do que isso, seus gols foram em momentos importantes.

Na sua estreia pelo River Plate, no dia 15 de julho, Alario já teve uma semifinal de Libertadores pela frente, diante do Guaraní, uma surpresa da competição até ali, que tinha eliminado o Corinthians. O River venceu por 2 a 0 em casa, com dois passes para gol de Alario. Na volta, em Assunção, os paraguaios pressionavam e venciam por 1 a 0. Um gol levaria a disputa para os pênaltis e a tensão já tomava conta dos torcedores. Mas foi Alario quem tratou de marcar, já no final do segundo tempo, o que selou a passagem à decisão.

Na final, um 0 a 0 no México diante do Tigres deixou tudo para a segunda etapa. O time mexicano vinha com investimento pesado, contratações de impacto e a sede de ser o primeiro mexicano a levantar a taça. Mas foi Alario, novamente, que marcou um gol fundamental. Ele abriu o caminho para o título, ao fazer 1 a 0. Um gol com gosto de título de Libertadores. Um gol que levou ao Mundial. E, agora, na competição no Japão, ele mais uma vez mostrou estrela para marcar em um momento decisivo.

O jogo em Osaka não foi nada fácil. O River Plate começou melhor, foi mais perigoso, mais ofensivo pressionando a saída de bola do adversário, mas não conseguiu transformar essa presença no ataque em chances. O Sanfrecce conseguiu esfriar o jogo depois, e aí foi quando levou perigo. Em dois chutes, Minagawa obrigou grandes defesas do goleiro Barovero. O placar se manteve em branco, muito graças ao goleiro, que teve ótima atuação e foi, discutivelmente, um dos melhores do jogo.

No segundo tempo, as coisas melhoraram para os argentinos. As mudanças do técnico Marcelo Gallardo deixaram o time mais seguro na defesa e mais dominante no ataque, especialmente com a entrada de Viudez. O time até criou chances, conseguiu chegar mais, mas ainda tinha muitas dificuldades. Foi em uma bola parada, e uma falha do goleiro adversário, que veio o gol. Aos 27 minutos, em um cruzamento para a área de Viudez, o goleiro Takuto socou mala bola e Alario, no meio da área, cabeceou para as redes.

O Sanfrecce Hiroshima até tentou ir ao ataque e empatar o jogo, mas não conseguiu nenhuma chance clara. O River pareceu mais aliviado com a vitória do que efetivamente feliz. Pudera. Os sul-americanos sofrem tanto que vencer na semifinal é mais uma questão de evitar o vexame. Ao menos chegar à final já é quase uma garantia disso. Quase, porque o Barcelona pode estar em um dia magnífico e golear. E aí, não tem muito o que fazer, a não ser tentar amenizar o prejuízo.

O River Plate certamente irá torcer para que a estrela do jovem Alario, de 23 anos, continue brilhando. Que ele consiga mais um gol importante na final. Provavelmente, contra o Barcelona. Uma disputa que, ao menos, deve ser interessante de ver, no domingo, às 8h30 da manhã. Provavelmente contra o Barcelona, em uma missão muito, muito mais complicada. O time terá que jogar muito mais, mas sabemos que a final é diferente de um jogo semifinal. A responsabilidade vai para o outro lado.

A esperança dos millonarios reside na mesma que já esteve com torcedores do São Paulo em 2005 e Internacional em 2006: nem sempre ser melhor significa vitória. Aliás, neste 16 de dezembro, o Corinthians comemora três anos do seu título. Não era o Barcelona, mas o time venceu. O time precisará jogar muito do que sabe e minimizar os efeitos do Barcelona. Quem sabe contanto com a estrela de Alario.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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