Renato aponta as lições extraídas pelo Fluminense para se classificar no Mundial
Seja pelo excesso ou falta, o treinador aponta o foco como o grande pilar do Tricolor na competição internacional
O Fluminense teve atuações distintas nas duas primeiras rodadas do Mundial de Clubes.
Ainda assim, a equipe carioca chega à última rodada da fase de grupos invicta e dependendo somente de um empate para avançar às oitavas de final.
Nesta quarta-feira (25), às 16h (horário de Brasília), o Tricolor encara o Mamelodi Sundowns, da África do Sul. E para o técnico Renato Gaúcho é fundamental que a equipe esteja focada.
– São 90 minutos e tem que estar ligado naquilo que acontece no campo. No momento em que você se desliga, no futebol com 10 segundos, 5, 30, a coisa acontece.
A alteração no nível de foco foi justamente o que diferenciou as atuações do Fluminense nas duas primeiras partidas do Mundial.
Na estreia, o clube das Laranjeiras não tomou conhecimento do Borussia Dortmund, da Alemanha, e foi amplamente superior. O empate sem gols não refletiu o domínio carioca, que merecia ter vencido a partida.
Contra os alemães ficou nítido que o Tricolor esteve focado do primeiro ao último minuto. Porém, a equipe abaixou a guarda no duelo seguinte, contra o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e quase colocou muita coisa a perder.
– Depois da parada técnica, nos últimos minutos do primeiro tempo, nos acomodamos e tomamos a virada. Poderia ter sido pior. Poderia hoje fazer o último jogo sem valer nada ou precisando da vitória. Serve sempre de exemplo. Às vezes você vence e esconde os erros. Para mim esses erros não são escondidos, eu cobro porque é meu trabalho. E eles sabem disso. Desde que cheguei falo que tem que ficar focado no trabalho o tempo todo. No momento que ele apita a coisa vai acontecer. No momento que não apita o final de jogo, vai acontecer também. Contra e a favor. Se está focado no seu trabalho, vai evitar que a coisa desfavorável aconteça. Mas no momento em que um ou mais jogadores se desconcentram, isso acontece. Ninguém quer isso – disse o treinador.
O Fluminense até esteve focado no início da partida contra o Ulsan. Mas ter aberto o placar nos primeiros 15 minutos relaxou a equipe, que sofreu a virada ainda no primeiro tempo. O revés fez o Tricolor correr atrás da virada na etapa final, o que aconteceu.
– Vamos lembrá-los de que o foco que tivemos no jogo com o Borussia, apesar do empate, nos rendeu elogios. Porque ficamos focados. No último jogo, focamos e nos últimos 15 minutos desconcentramos. Levamos a virada. Voltamos a concentrar no segundo tempo, tomamos conta do jogo e conseguimos o resultado. Nem sempre isso vai acontecer. Não podemos dar mole – destacou Renato.
Renato já esteve no lugar de Everaldo e confia na volta por cima do jogador
Ainda sem marcar no Mundial de Clubes e criticado pela torcida tricolor pelos gols perdidos na competição, o atacante Everaldo foi defendido por Renato Gaúcho.
O treinador revelou que teve uma conversa com o jogador para passar confiança. No papo foi citado até mesmo Gabigol, ídolo do rival Flamengo e que hoje defende o Cruzeiro.
– Ele chegou no Fluminense fazendo gols, não desaprendeu. Todo jogador tem aquela má fase que daqui a pouco a bola não entra. Posso citar vários jogadores famosos aqui, muito acima da média, que ficaram vários jogos. Se não me engano, o Gabigol ficou oito, dez jogos (sem marcar) no Flamengo. E ninguém discute as qualidades do Gabigol. Com o Everaldo, daqui a pouco a bola não entra, mas tem que ver pelo outro lado também. As jogadas que tem feito, a entrega em campo. Nem sempre o jogador faz gol. O atacante de área só aparece para o torcedor quando faz gol, e para o time não. É importante a parte tática. É lógico que torcemos para que ele faça gols, mas tem nos ajudado bastante. Tenho dado conselhos, passado muita tranquilidade e confiança pra ele. Daqui a pouco a bola entra. No mais, tem nos ajudado bastante – pontuou Renato Gaúcho.
Ídolo do Fluminense também como jogador, o agora treinador atuava na mesma posição de Everaldo. E com a camisa grená foi autor de um dos gols mais importantes da história do clube, marcado de barriga contra o Flamengo, na final do Campeonato Carioca de 1995.

Na época, o adversário, que estava no ano do centenário e tinha feito alto investimento, era o favorito. E o triunfo do Fluminense, que era o “patinho feito”, é relembrado por Renato durante o Mundial.
– Falo para eles: “se eu fiz história com o gol de barriga, o jogador de futebol entra para a história de um clube ganhando títulos”. Essa é a motivação que passa para eles. Às vezes você joga por anos em um clube e não ganha nada. Você não fez história. Você vai fazer história quando der a volta olímpica, botar a faixa no peito. Essa é a motivação que eles têm, e tenho esse papo com eles praticamente todos os dias. O jogador de futebol tem que ter esse pensamento de sempre querer ganhar, ganhar, sempre respeitando o adversário, obviamente. Mas ele não pode se acomodar com derrotas. Tem que a cada partida buscar sempre vitórias, ganhar títulos e entrar para a história do clube – afirmou Renato.
De toda forma, o treinador garante que a possibilidade de conquistar o Mundial de Clubes ainda não é conversada pelos jogadores. Para Renato Gaúcho, a missão inicial é avançar de fase.
– Aqui a gente não fala em ser campeão, bem longe disso. Ainda nem conseguimos a classificação (às oitavas). Vamos procurar de todas as formas fazer isso no jogo de amanhã. Sabemos que é bastante difícil, mas o objetivo é esse – concluiu Renato.
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Cenário do Fluminense na última rodada do Mundial
Com quatro pontos conquistados (uma vitória e um empate), o Fluminense lidera o grupo F da competição. Os alemães do Borussia Dortmund têm a mesma quantidade de pontos, mas estão em segundo lugar por terem um gol a menos de saldo.
Na sequência, Mamelodi Sundown tem três pontos conquistados e está na terceira colocação.
O Ulsan perdeu as duas partidas, não pontuou e é o lanterna da chave, sem chances de classificação.
Em caso de vitória sobre o Mamelodi, o Fluminense não só garante a classificação como obriga o Borussia a ampliar o saldo de gols para ser o líder do grupo.

Em caso de triunfo do Tricolor por um gol de diferença, por exemplo, o Dortmund precisará vencer o Ulsan por três gols de diferença para ficar na primeira posição da chave.
Já em caso de empate com o Mamelodi, o Fluminense até garante a classificação às oitavas de final, mas será líder somente se o Borussia não vencer o Ulsan – um empate entre alemães e coreanos já serviria ao Flu.
Porém, se perder para os sul-africanos, o Tricolor das Laranjeiras só se manteria vivo no Mundial no caso do Borussia ser derrotado na última rodada.
Neste cenário, o Mamelodi avançaria em primeiro, o Flu ficaria sem segundo e o Borussia seria eliminado, na terceira colocação.



