Pagar por reforço gratuito e adiar cirurgia: Como o Real Madrid prioriza o Mundial
Após temporada sem títulos, clube espanhol transforma o torneio da Fifa em obsessão e toma decisões de mercado e médicas curiosas
O discurso mudou no Real Madrid. Se em junho de 2024 o então técnico Carlo Ancelotti dizia publicamente que não se importava com o Mundial de Clubes da Fifa, hoje o clube não apenas se prepara para a estreia diante do Al-Hilal, mas trata a competição como prioridade.
O tom mudou, mas o objetivo também: vencer o Mundial e reforçar o caixa. E, por conta dessa prioridade que o clube deu ao torneio, tomou decisões curiosas no mercado e até mesmo no departamento médico.
Reforços do Real Madrid e pressa por Alexander-Arnold
Entre as decisões mais emblemáticas desse novo foco está a contratação antecipada de Trent Alexander-Arnold. Prestes a encerrar seu contrato com o Liverpool, o lateral inglês tinha saída gratuita agendada para o início de julho. Ainda assim, o Madrid preferiu antecipar a chegada e pagou 10 milhões de euros (cerca de 63 milhões de reais, de acordo com a cotação atual) ao clube inglês para contar com o jogador já na fase de grupos do Mundial.
Com Dani Carvajal ainda se recuperando de uma grave lesão no joelho, a contratação imediata de Alexander-Arnold tornou-se uma prioridade. Além dele, o clube também reforçou o setor defensivo com a chegada do jovem Dean Huijsen. Após boa passagem pelo Bournemouth, o zagueiro espanhol foi contratado mediante o pagamento da cláusula de rescisão de 50 milhões de libras (cerca de 373 milhões de reais).

Outro alvo era o jovem Franco Mastantuono, do River Plate, contratado por 40 milhões de euros, mas o clube argentino preferiu mantê-lo para disputar o Mundial com seu elenco.
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Bellingham adia cirurgia e Modric fica
Mais um sinal claro da prioridade dada ao Mundial foi a decisão de adiar a cirurgia no ombro de Jude Bellingham. O meio-campista inglês, que atua com fortes dores e constante enfaixamento desde uma lesão sofrida em novembro de 2023, vinha sendo aconselhado a operar.
O plano inicial era que Bellingham se recuperasse durante o verão europeu e estivesse 100% para a temporada 2025/26 e, principalmente, para a Copa do Mundo de 2026.
Clube e jogador decidiram postergar a cirurgia para garantir a presença de Bellingham na competição nos Estados Unidos. Isso significa que o meia deve perder o início da próxima temporada, com um tempo estimado de até dois meses afastado após o Mundial.
Enquanto isso, Luka Modric decidiu permanecer brevemente. Após cenas emocionantes de despedida no Santiago Bernabéu, a expectativa era de que o croata, aos 38 anos, desse fim ao seu ciclo no clube rumo a uma provável transferência para o Milan.
🔙🤩 ¡El que tuvo, retuvo! pic.twitter.com/xPuabzxIwC
— Real Madrid C.F. (@realmadrid) June 15, 2025
Entretanto, o Real optou por manter Modric no elenco até o fim do Mundial. Mesmo com participação limitada na temporada passada, a experiência e a liderança do veterano são vistas como trunfos importantes para um grupo que terá jovens assumindo protagonismo e um novo treinador no comando.
O peso do prêmio financeiro
Por trás de todo o empenho, há também um fator econômico significativo. Inicialmente cético quanto aos valores pagos pela Fifa, o próprio Ancelotti havia reclamado de uma oferta de 20 milhões de euros para o campeão do torneio. Hoje, com o formato revisado, o Real Madrid pode faturar cifras muito maiores.
Apenas pela participação, os merengues receberão cerca de 30 milhões de euros, com prêmios extras por vitórias em cada fase. Se for campeão, o clube pode embolsar até 125 milhões de dólares (cerca de R$ 695,5 milhões), além de outros incentivos comerciais e de marketing durante o torneio nos Estados Unidos.



