Por que o Auckland City é tão fraco e joga (quase) toda edição do Mundial de Clubes
Clube amador da Nova Zelândia sofreu goleada acachapante do Bayern de Munique na estreia do torneio
Quem assistiu à impiedosa goleada do Bayern de Munique por 10 a 0 sobre o Auckland City, na manhã deste domingo (15), certamente se perguntou: por que um time tão fraco tecnicamente está no Mundial de Clubes? Mais do que isso: por que eles jogam o Mundial quase todo ano?
A resposta está na soberania do clube no continente. Soberania essa, que conta com uma “ajudinha” de outros times locais. Explicamos abaixo.
Fundado em 2004, o Auckland City é, hoje, o principal expoente do futebol na Oceania. A equipe, apesar de nova, cresceu rapidamente e passou a empilhar troféus. São 13 títulos da Liga dos Campeões da OFC (Oceania) e 12 do Campeonato Neozelandês, além de taças de competições locais menores.
Graças às conquistas continentais, o Auckland City se firmou como presença frequente na Copa do Mundo de Clubes. O time da Nova Zelândia participou de 12 edições no antigo formato do torneio e, na atual, é o único representante da Oceania — já que o continente conta com apenas uma vaga, atribuída à equipe mais bem posicionada no ranking da Fifa.
Essa dominância toda, no entanto, pode ser explicada graças à escolha de outros. Únicos clubes profissionais da Nova Zelândia, Wellington Phoenix e Auckland FC decidiram se filiar à federação da Austrália. Por isso, atuam no Campeonato Australiano e disputam torneios continentais da Ásia — uma vez que a Austrália se desligou da Confederação da Oceania para jogar na Confederação Asiática.
A dupla então deixou os campeonatos da Oceania somente para times amadores e semiamadores, como é o caso do Auckland City, que viu a missão de triunfar e reinar soberano no continente ficar bem mais fácil.
Além de outros clubes não profissionais da Nova Zelândia, o Auckland City enfrenta equipes de países menores, como Fiji, Papua Nova-Guiné e Ilhas Salomão nos jogos da Liga dos Campeões da OFC.
O time que mais vezes disputou o Mundial de Clubes, também é o único time amador da competição 🇳🇿
— Trivela no Mundial de Clubes 🏆 (@trivela) June 16, 2025
E o motivo do meu, do seu, do nosso Auckland City passar por isso quem explica é o @_andreyray 😅 pic.twitter.com/2c2po5kQ6X
No Auckland City, os jogadores dividem o futebol com outras profissões
O próprio Auckland City assume seu caráter amador. Uma das primeiras declarações no site oficial do time neozelandês expõe tal realidade. No clube, os jogadores conciliam a carreira esportiva com atividades profissionais paralelas, em uma verdadeira “jornada dupla”. O elenco inclui desde pintores até corretores imobiliários e barbeiros.
— Somos um time amador. Meus colegas são pintores, professores, trabalhadores de depósito ou corretores imobiliários. Posso dizer que só ganho a vida com futebol porque, além do meu trabalho como jogador, também trabalho como treinador na academia de futebol do nosso clube — afirmou Gerard Garriga, meio-campista do Auckland, ao “Bild”.
Para representar o Auckland na Copa do Mundo de Clubes, alguns atletas precisaram se afastar temporariamente de seus empregos, sem remuneração. O objetivo contra o Bayern de Munique, na primeira rodada da competição, era tomar o mínimo de gols possível.
— Nossas chances de ganhar são quase zero. Alguns jogadores precisaram sacrificar suas férias para ir aos jogos (…) Acho isso impossível (uma vitória) ou até mesmo um empate. Se sofrermos cinco gols ou menos, acho que podemos sair do estádio de cabeça erguida. Ficaria muito feliz se deixássemos os neozelandeses e nossas famílias orgulhosos e não nos envergonhássemos. No vestiário, brincamos que faríamos uma verdadeira festa se perdêssemos por apenas 2 a 0 – disse Garrida.
Profissões de alguns jogadores do Auckland City
- Conor Tracey (Goleiro) — Estoquista
- Christian Gray (Zagueiro) — Professor em formação
- Adam Mitchell (Zagueiro) — Corretor de imóveis
- Jordan Vale (Lateral) — Professor em escola de ensino fundamental
- Mario Ilich (Meia) — Representante de vendas da Coca-Cola
- Dylan Manickum (Meia) — Engenheiro assistente de obra
- Ryan De Vries (Atacante) — Polidor de carros
- Jerson Lagos (Atacante) — Barbeiro
- Sebastián Ciganda (Goleiro) — Limpador de piscinas
- Dylan Connolly (Lateral) — Fisioterapeuta
Único representante da Oceania no Mundial, o Auckland City tem diversos jogadores que dividem a vida futebolística com carreiras profissionais.
— Trivela no Mundial de Clubes 🏆 (@trivela) June 15, 2025
O vice-capitão Adam Mitchell teve uma carreira promissora na base, atuou por Bolton, Estrela Vermelha… mas hoje divide o tempo de… pic.twitter.com/2BBak1ddgo
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Próximos jogos do Auckland City no Mundial
Azarão do Grupo C da Copa do Mundo de Clubes, o Auckland City volta a campo na próxima sexta-feira (20), quando enfrenta o Benfica pela segunda rodada da chave. A bola rola a partir das 13h (de Brasília), no Orlando City Stadium.
Quatro dias depois, na sexta-feira (24), a equipe neozelandesa mede forças contra o Boca Juniors, no Geodis Park, em Nashville, Tennessee.



