Mundial de Clubes

Como Boca Juniors e River Plate chegam para o Mundial de Clubes

Desempenho recente e planejamento: uma radiografia dos gigantes argentinos rumo ao torneio nos Estados Unidos

River Plate e Boca Juniors, os dois maiores colossos do futebol argentino, já iniciaram a contagem regressiva para o Mundial de Clubes. Arquirrivais históricos e protagonistas de páginas marcantes do esporte mais popular do mundo, Millonarios e Xeneizes chegam à competição com trajetórias recentes distintas, mas com um objetivo em comum: resgatar o protagonismo da América do Sul em um cenário futebolístico cada vez mais dominado por potências europeias.

Dito isso, nos questionamos: quem chega mais preparado? Quem tem mais chances de fazer bonito no Mundial e bater de frente com os gigantes do Velho Continente?

A Trivela mergulhou no momento atual de River e Boca, analisou seus destaques, seus pontos fracos e te conta como ambos podem surpreender (ou não) no grande torneio de 2025.

River Plate: promessa de Gallardo vai se cumprir?

O River Plate fez uma fase de grupos sólida na Libertadores. Invicto na competição continental, o time de Marcelo Gallardo somou 12 pontos e assegurou a liderança do Grupo B com certa folga. Em contrapartida, a inesperada eliminação no Torneio Apertura do Campeonato Argentino causou desconfiança entre os torcedores.

Em pleno Monumental de Núñez, o modesto Platense levou a melhor na disputa de pênaltis por 4 a 2 — após empate (1 a 1) no tempo normal — e despachou o Millonario. Martín Canavés, redator do site “Top Mercato”, tem dúvidas se a promessa de Gallardo se cumprirá. O técnico se disse convencido de que seus comandados competirão e farão bonito no Mundial.

— Apesar da mensagem de Gallardo, que empolgou os torcedores do River dizendo que “vamos competir, estou absolutamente convencido”, a realidade é que a equipe mostrou muita irregularidade ao longo dos primeiros cinco meses do ano. Eles venceram jogos com tranquilidade e tiveram dificuldades contra adversários inferiores. Os principais pontos fracos do River são os altos e baixos em seu desempenho de um jogo para o outro — opinou Martín.

O jornalista ainda chama atenção para a inconsistência defensiva do River. Na sua visão, o plantel é qualificado, porém, o desempenho coletivo ainda longe do ideal pode fazer o gigante argentino voltar para casa antes mesmo da fase de mata-mata do Mundial.

O River sofre muito defensivamente e também foi vítima da falta de gols de seus atacantes, embora tenham voltado a balançar as redes nos últimos jogos. Se levarmos em conta os nomes, o River tem um ótimo elenco e pode lutar no Mundial, mas o desempenho coletivo ainda está longe de ser o melhor. Eles precisam corrigir os déficits que tiveram e fortalecer os pontos altos, dessa forma podem confirmar o que Gallardo disse: “podemos enfrentar qualquer um”.

Marcelo Gallardo, técnico do River Plate
Marcelo Gallardo, técnico do River Plate (Foto: Imago)

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Trabalho de Gallardo e principal ponto forte do River

Gallardo já foi mais adorado pela torcida do River Plate. Bicampeão da Libertadores em sua primeira passagem como técnico, El Muñeco (apelido de Gallardo) não conseguiu alcançar grandes feitos desde que retornou, em agosto do ano passado. Pelo contrário. O time vem amargando eliminações (nacionais e internacionais) e irritando a arquibancada.

— A mão de El Muñeco é perceptível na equipe, mas o River ainda não joga da maneira que ele e sua comissão técnica querem. Ele tem muitos jogadores de renome, mas lhe faltam peças para montar seu melhor esquema tático. Em alguns momentos, o relacionamento de Gallardo com os torcedores era bom, pois se trata de um ídolo da instituição, contudo, as atuações e os resultados ruins começaram a causar uma ruptura no relacionamento — explicou Martín.

A qualidade do meio-campo, que conta com nomes como Nacho Fernández e Enzo Pérez, aliada a estrela de Franco Mastantuono, são as grandes esperanças do River no Mundial. A caminho do Real Madrid, o camisa 30 se destaca pela habilidade técnica, visão de jogo apurada e maturidade em campo — sendo considerado uma das maiores promessas do futebol argentino.

— A principal força do River Plate é o jogo coletivo. Quando os melhores nomes do meio-campo estão em boa forma, o nível da equipe de Gallardo cresce consideravelmente. Também é importante mencionar o grande momento de Franco Mastantuono porque, embora ele seja uma força individual, ao mesmo tempo, influencia muito ao nível coletivo.

Como Boca Juniors e River Plate chegam para o Mundial de Clubes

Melhores Odds para o River no Mundial

Para o River Plate se classificar: 1.31
Para o River Plate ficar em segundo lugar: 2.02

Uma bagunça chamada Boca Juniors

Assim como o River Plate, o Boca Juniors também deu adeus ao Apertura Argentino de maneira precoce, ao cair para o Independiente dentro da Bombonera. No entanto, o buraco xeneize parece ser ainda mais fundo que o do arquirrival. A eliminação diante do Alianza Lima na segunda fase da Libertadores e as constantes trocas de técnico comprovam isso.

— A desconfiança dos torcedores do Boca cresceu nos últimos tempos devido à série de resultados e atuações ruins da equipe. A eliminação precoce na Libertadores e a derrota para o Independiente em La Bombonera nas quartas de final do Apertura Argentino foram dois momentos que marcaram um antes e um depois na relação dos torcedores com a equipe.

O Boca perdeu sua identidade com tantas mudanças de técnico, porque nenhum deles durou tempo suficiente para acertar. Os dirigentes e a história do clube mostram que o Xeneize vive de resultados positivos, da conquista de títulos e de um grande elenco. Eles têm bons jogadores em seu elenco, mas nenhum técnico conseguiu explorar suas qualidades ao máximo — pontuou Martín.

Inclusive, o Boca Juniors fez grandes investimentos pensando na temporada 2025. No início do ano, o clube chegou a ser chamado de “Super Boca Juniors” devido aos reforços contratados. Em uma única negociação, o clube desembolsou 10 milhões de dólares (aproximandamente R$ 60 milhões na cotação da época) para a contratação de Alan Velasco, do Dallas FC, mas o jogador não correspondeu o esperado.

O experiente Miguel Ángel Russo, de 69 anos, foi o escolhido para tentar resolver a bagunça no Boca. Para Martín Canavés, o retorno do histórico treinador xeneize — que venceu títulos importantes na Argentina e no continente — soou como um pedido de desculpas de Juan Román Riquelme, presidente do clube.

— O retorno de Russo é uma autocrítica velada de Riquelme, um pedido de desculpas escondido por um erro do passado. Russo foi o único técnico dos últimos seis anos que conseguiu dar uma identidade à equipe e conquistar títulos, mas uma série de resultados ruins o deixou fora do cargo. Agora, estão acreditando que ele seja o salvador desse momento complicado. Seu retorno tem gerado opiniões divididas. Há torcedores que confiam nele e outros que apontam que seu tempo já passou.

Riquelme, presidente do Boca Juniors
Riquelme, presidente do Boca Juniors (Foto: Imago)

Russo tem missão indigesta no Boca

Miguel Ángel Russo teve cerca de duas semanas de treinos antes do início do Mundial. Ou seja, pouquíssimo tempo para dar uma “nova cara” ao Boca Juniors. A ideia de Riquelme é reforçar o plantel com contratações pontuais e facilitar o início de trabalho do novo treinador — porém só depois da competição nos EUA.

Martín destaca que Fausto Vera, volante do Atlético-MG, e Aníbal Moreno, volante do Palmeiras, estão entre os nomes monitorados pela alta cúpula xeneize. Ambos os negócios, entretanto, são considerados difíceis.

— O Boca é uma incógnita. Há rumores de que muitos jogadores deixarão o time e uma extensa lista de possíveis nomes podem chegar, mas a verdade é que eles chegarão ao Mundial com um novo técnico. Russo terá poucos treinos para poder modificar o que foi feito por Gago ou Herrón até agora.

— Riquelme tem em mente fazer algumas contratações, visando montar um plano competitivo e chegar com possibilidades de competir. Os nomes que mais soam em La Bombonera são Malcom Braida (lateral-esquerdo), Bruno Amione (zagueiro), Aníbal Moreno (meio-campista), Fausto Vera (meio-campista) e Marino Hinestroza (atacante).

Como Boca Juniors e River Plate chegam para o Mundial de Clubes

Melhores Odds para o Boca no Mundial

Total de pontos menos de 3.5: 2.27
Para o Boca Juniors ficar em terceiro lugar: 1.62

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Por que River e Boca estão no Mundial de Clubes?

A presença de River Plate e Boca Juniors no Mundial de Clubes 2025 levantou a seguinte dúvida: por que os dois gigantes argentinos vão disputar o torneio, mesmo sem terem vencido a Libertadores nos últimos anos? A resposta está no novo formato da competição adotado pela Fifa.

Ao todo, seis vagas são concedidas para a Conmebol, entidade máxima do futebol sul-americano. Quatro desses lugares foram ocupados automaticamente pelos campeões da Libertadores de 2021 a 2024, são eles: Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo.

Pelo fato dos clubes brasileiros terem “estourado” a cota de participação, as últimas duas vagas obrigatoriamente ficaram para equipes de outros países do continente. Equipes essas, que tiveram a melhor pontuação no ranking da Conmebol durante esse ciclo. E é aí que River e Boca foram agraciados.

Os Millonarios não chegam a uma final de Libertadores desde 2019, mas no período citado (2021–2024) alcançaram as semifinais em 2024, estiveram presente em todos os mata-matas do torneio continental e conquistaram títulos locais.

Os Xeneizes, por sua vez, fizeram a final da Libertadores de 2023 com o Fluminense, no Maracanã. O título não veio, é verdade, porém, a ida até a finalíssima pesou na pontuação do ranking acumulado e levou o time ao Mundial.

No último Superclássico, realizado em abril, o River bateu o Boca por 2 a 1
No último Superclássico, realizado em abril, o River bateu o Boca por 2 a 1 (Foto: Imago)

Jogos de River e Boca no Mundial

River Plate

  • River Plate x Urawa Reds — terça-feira, 17 de junho, às 16h (de Brasília)
  • River Plate x Monterrey — sábado, 21 de junho, às 22h (de Brasília)
  • Internazionale x River Plate — quarta-feira, 25 de junho, às 22h (de Brasília)

Boca Juniors

  • Boca Juniors x Benfica — segunda-feira, 16 de junho, às 19h (de Brasília)
  • Bayern de Munique x Boca Juniors — sexta-feira, 20 de junho, às 22h (de Brasília)
  • Auckland City x Boca Juniors — terça-feira, 24 de junho, às 16h (de Brasília)

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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